Com a chegada das eleições, quase que do dia para a noite toda a classe política passou a se declarar contra as chamadas bets no Brasil.
Pressionado por um clamor generalizado diante do desastre humanitário causado pelas apostas online, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) viu na pauta uma ação de forte impacto social - e, portanto, um fato eleitoral a ser explorado, principalmente diante do crescimento do seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL), nas pesquisas.
Com a decisão de Lula de proibir as bets, a discussão faz relembrar um debate ocorrido em Campina Grande no final de 2024, quando a gestão municipal, no âmbito da reforma do Código Tributário local, encaixou a proposta de uma política de incentivo às empresas de apostas, reduzindo o ISS de 5% para 2% (o mínimo permitido pela lei).
Na Câmara, o vereador Alexandre do Sindicato (PL), mesmo sendo um dos líderes do governo, se levantou contra o benefício fiscal. Alexandre apresentou uma emenda para elevar o percentual do ISS das bets para 5% (o máximo permitido).
Ao defender sua emenda na tribuna, Alexandre do Sindicato criticou duramente as empresas de apostas e mencionou o desastre social já então causado pelo jogo. Apenas três parlamentares votaram com ele: Olimpio Oliveira (Podemos), Jô Oliveira (PCdoB) e Pimentel Filho (PSB).
Por causa da sua emenda, o vereador teve que enfrentar a própria bancada, sendo rebatido por aliados - inclusive com ironias de vereadores da bancada evangélica, que votaram a favor do benefício fiscal para as empresas de apostas.
Com isso, por ampla maioria, o incentivo às bets foi aprovado em Campina Grande. Uma das empresas beneficiadas, contudo, a Pixbet, transferiu sua sede para Serra Branca meses depois, deixando para trás uma dívida tributária que a prefeitura campinense tenta receber na Justiça.
