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Opções únicas de cada lado, ex-reitor e pastor vão testar fidelidade ao lulismo e bolsonarismo


Por Lenildo Ferreira*

No meio do encaminhamento de nomes para a disputa colocados até agora na Paraíba, o fato curioso é que, a despeito da polarização evidente entre as prováveis candidaturas à Presidência de Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), quando o assunto é a disputa pelo senado, cada lado do polo só conta, até agora, com uma pré-candidatura legitimamente alinhada. 

E, por pré-candidato "alinhado legitimamente" ou "nato", queremos dizer o óbvio: alguém realmente identificado, historicamente, com as bandeiras e as trajetórias dos dois presidenciáveis. 

Acrescente-se: isso sem levar em conta potencial eleitoral e, muito menos, viabilidade, sendo uma leitura puramente focada no cerne histórico e ideológico dos postulantes.

Do lado do ex-presidente que tenta voltar, o vínculo fortíssimo e a fidelidade mesmo nas piores horas tornam Ricardo Coutinho (que regressou ao PT) o mais lulista de todos os lulistas da Paraíba. 

Porém, os embaraços jurídicos deixam o ex-governador em uma situação difícil para a disputa. 

Com isso, resta efetivamente no campo da esquerda apenas a pré-candidatura do ex-reitor da UEPB Antônio Guedes Rangel Júnior, do PC do B. 

Se, portanto, a opção do eleitor inveteradamente lulopetista para o Senado for motivada efetivamente pela clareza de quem é quem e em consonância e alinhamento ideológicos, a escolha só poderia ser o comunista.

Já do lado do atual presidente, vale escrever o mesmo, trocando apenas os personagens.

Com isso, resta efetivamente no campo da direita apenas a pré-candidatura do pastor e procurador da Fazenda Sérgio Queiroz, do PRTB.

Se, portanto, a opção do eleitor inveteradamente bolsonarista para o Senado for motivada efetivamente pela clareza de quem é quem e em consonância e alinhamento ideológicos, a escolha só poderia ser o pastor do PRTB.   

E nem é preciso esticar o texto explicando que Bruno Roberto (PL) nada tem de qualquer vínculo pessoal, político ou ideológico com Jair, coisa por demais óbvia e sabida.

Efraim Morais (União Brasil), por seu turno, nunca foi nem adversário nem aliado de fato do bolsonarismo, alinhado, inclusive, até bem pouco tempo, com o governo socialista da Paraíba e agora correligionário do falante deputado Julian Lemos, antes súdito subserviente de Bolsonaro e hoje, uma vez rifado, inimigo do presidente e seu clã.

O cenário coloca na mesa a possibilidade de um tira-teima interessante este ano: quanto do radicalismo biangular do bolsonarismo x lulopetismo se concretizará nas urnas?

Afinal, se Rangel Júnior e o Pastor Sérgio Queiroz não forem alçados de azarões a protagonistas, o antagonismo extremado das duas forças não passará de pura balela em terras paraibanas.

O que, aliás, é bem provável. 

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Lenildo Ferreira é jornalista especializado em política, atualmente na Rádio Cariri, e advogado especialista em Direito Eleitoral

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