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| Imagem: portal A Palavra |
A morte, na noite desta terça-feira, 06, do fotógrafo Marcelo Marcos leva para o túmulo um homem que foi moralmente morto quase quarenta anos atrás. É uma daquelas histórias incrivelmente complicadas, em meio a mistérios policiais que mais parecem extraídos de um filme que termina sem solução.
No turbilhão do impasse sem precedentes da morte de Raymundo Asfora, Marcelo virou suspeito por sua proximidade com o político falecido, e nem mesmo a sentença judicial de alguns anos atrás, absolvendo-o das acusações, teria o poder de restaurar a vida tragada por uma acusação que condena perpetuamente.
Um homem simples, sem posses, que é jogado à sociedade como possível assassino de um grande jurista, tribuno magnífico, vice-governador eleito, não precisa ser preso para perder a liberdade, nem condenado para cumprir pena.
Basta ver que Marcelo Marcos, antes associado à sua atividade de fotógrafo, homem de imprensa, passou a ser um nome para sempre vinculado publicamente ao rumorosíssimo e insolúvel caso Asfora.
Ninguém sabe sequer se o então vice-governador eleito foi morto ou se matou – o que provavelmente nunca se saberá com certeza – e tampouco houve provas minimamente razoáveis contra Marcelo, mas entre o “se” e o “talvez”, o fotógrafo virou notícia como réu e carregou o fardo de ser, desde então, lembrado assim: o suspeito.
Na prática, a absolvição valeu pouco. Até porque a pena de morte, quando executada, é evidentemente irreversível. Marcelo Marcos cumpriu sua pena de morte em vida. Teve que aprender a sobreviver assim, ao longo de quase quatro décadas.
Agora, quando o caixão desce ao túmulo, a alma se liberta deste mundo. Se agraciado por Deus, em Cristo, segue para a esperança da vida eterna. Ironicamente, terá sido preciso a Marcelo Marcos morrer para finalmente viver, cumprir a sentença inevitável a todo homem (o fim da existência) para enfim ser livre.
Lenildo Ferreira
