Por Lenildo Ferreira
Às vezes uma ideia ruim pode ter uma execução ainda pior. E hoje os paraibanos assistiram – literalmente – a um destes casos.
No dia do evento do prefeito pessoense Cícero Lucena (MDB) em Campina Grande para receber a adesão de Pedro Cunha Lima (PSD), uma saraivada de vídeos de vereadores aliados de João Azevêdo (PSB) e Lucas Ribeiro (PP) foi postada nas redes sociais.
A ideia já começou ruim. Primeiro porque esse tipo de reação parece acusar o golpe, revelar excesso de preocupação diante de um movimento simples e natural de um adversário.
Ainda mais porque o evento de Cícero, mesmo reunindo lideranças locais e estaduais importantes, foi modesto, sem grandes empolgações – até porque Pedro, o centro da festa pelo apoio anunciado, pouca conexão tem com Campina.
Mas, pior foi a execução. No geral, falas em cima de textos escritos, mecânicas, até mesmo estranhas e sem dúvida artificiais.
Porém, insólito mesmo foi ver vereadores de oposição ao governo municipal apelando para o discurso que descamba do bairrismo reprovável para e xenofobia sórdida.
A história do “Campina votar em quem é de Campina”, duramente condenada pelos mesmos vereadores há pouco mais de um ano, quando o marketing de Bruno Cunha Lima sacou esse argumento medíocre contra Jhony Bezerra, foi a tônica de parte dos discursos.
E esqueceu-se até um ponto: ao contrário do que chegou a ser dito expressamente, Lucas Ribeiro não é natural de Campina Grande. Nem esse detalhe foi antecipado.
Isso, evidentemente, não o faz melhor nem pior enquanto candidato. Ter nascido na Rainha da Borborema ou não jamais será, por si, mérito ou demérito para se votar ou deixar de votar em alguém.
Não era isso, aliás, que a oposição campinense dizia um dia destes?
A malfadada estratégia, do momento inoportuno à incorrência em xenofobia baixa, ainda demonstra a supervalorização desmesurada das redes sociais, espaço que deve ser devidamente ocupado, mas que está longe de resolver eleição na Paraíba – por mais que os empolgados marketeiros de redes sociais jurem (e vendam caro) o contrário.
Nesse caso, mesmo que melhor executada, a ideia dos vídeos em massa teria pouco impacto positivo. Da forma que foi, o resultado, no máximo, são curtidas e palminhas de quem já é aliado, e desserviço ao objetivo pretendido.
A eleição de 2026 já tem um “case” curioso, atoleimado e vexatório para a história registrar. Não é assim que se contribui para ganhar uma eleição; é assim que se ajuda a perdê-la.
