João Azevêdo deixa o governo em dois meses com marca de indiferença evidente por aliados de Campina Grande


O prazo para desincompatibilização do governador da Paraíba, João Azevedo (PSB), termina daqui a exatos dois meses. Com planos de deixar o cargo para disputar o Senado e se transferir para Brasília durante os próximos oito anos, João não vai repetir a decisão do seu antecessor e criador político, Ricardo Coutinho, que abriu mão de um mandato no Congresso Nacional e viu o mundo desabar após deixar o poder.

Com os fracassos e sucessos de qualquer gestão, a trajetória de João Azevedo será marcada pela imagem de um político leve, que conseguiu pacificar o ambiente na Paraíba durante boa parte de seu governo, mas se mostrou inegavelmente inábil enquanto líder, inclusive profundamente dependente e influenciado por um núcleo duro famoso pela total falta de tato e percepção política, que só enxerga a Paraíba entre Santa Rita e a praia.

Especificamente sobre Campina Grande, contudo, o governo de João infla dados, contabilizando custeio como investimento para fazer a cidade crer que a gestão trabalhou muito pelo segundo maior município da Paraíba - o que está longe de ser verdade (assunto para outra publicação). 

Porém, o foco por ora é o já conhecido tratamento indiferente do socialista para com aliados da cidade - o que implica em uma forma de desprestigiar, evidentemente, a própria cidade. A publicação cita apenas alguns exemplos.   

Marinaldo Cardoso

Ex-presidente da CMCG, desistiu da reeleição para ser vice do candidato do PSB, Jhony Bezerra. Popular, teve papel decisivo na ida da chapa ao 2º turno. Passada a eleição, João Azevedo não cumpriu o compromisso de integrar Marinaldo a uma posição no governo, apesar de até mesmo uma indicação a uma secretaria executiva ter sido encaminhada durante a campanha. 

Questionado pela imprensa, o governador negou veementemente ter feito qualquer promessa a Marinaldo - mas havia feito, sim, como é de domínio público nos bastidores políticos da cidade.

Márcio Melo

Sendo vereador, rompeu com a gestão de Bruno Cunha Lima e foi o primeiro a apoiar Jhony em Campina, ficando inclusive contra o próprio partido (Podemos) e o primo, Romero Rodrigues, o que trouxe duras consequências, como a não-reeleição. Passada a campanha e tendo ficado numa segunda suplência, foi praticamente ignorado pelo governo de João. A mulher, nomeada para um cargo no Hospital de Trauma, foi meses depois exonerada. 

Jhony Bezerra

Lançado candidato a prefeito pelo partido de João, teve inicialmente bem pouco apoio do governador, que não esperava a viabilização do aliado. O médico, porém, teve um excelente desempenho na campanha, indo ao segundo turno. O sucesso, contudo, despertou preocupação e ciúmes no núcleo duro do governador, que temeu ter criado uma liderança forte na cidade, e, desde a eleição, Jhony foi lançado a um processo de fritura. 

Somente por intermediação dos irmãos Galdino (Murilo e Adriano) voltou a ter um cargo, porém rebaixado para a PB Saúde. E gradualmente escanteado do centro do poder. Tornou-se alvo de uma campanha de enfraquecimento dentro do próprio governo e, por isso, resolveu entregar a PB Saúde antes do prazo, tendo ficado no grupo apenas por ser o único espaço de tentativa de sobrevivência eleitoral.

Nos bastidores, aliados do governador na cidade culpam Jhony pelo desgaste da relação. Pode ser verdade, porém, nesse caso, se tinha motivos para não querer o médico como aliado próximo, por que o governador o manteve na estrutura administrativa?

Lucas Ribeiro 

O próprio vice-governador, que nasceu em João Pessoa mas tem base política em Campina Grande, só foi finalmente receber atenção de João Azevedo quando o socialista decidiu que quer - e precisa - ser candidato ao Senado. Ou seja, a partir do momento em que João entendeu que precisava de Lucas para o seu próprio projeto político pessoal.   

Vereadores campinenses 

Parlamentares municipais eleitos na base de João oscilam entre muito pouco e nenhuma atenção, com raras exceções. Poucos meses atrás, João Azevedo teve a oportunidade de fortalecer sua base, levando um vereador do bloco do prefeito Bruno Cunha Lima para a oposição, mas ignorou as sugestões dos aliados. 

Ainda assim, é defendido pelos parlamentares municipais por ter a caneta na mão, e porque muitos vereadores da cidade, inclusive, aceitam esse tipo de tratamento - tanto do governador quanto do prefeito.  

Tese de que "João é gestor, não é político", só vale para Campina Grande? 

Alguns defendem o governador, afirmando que as queixas de políticos revelam apenas insatisfações pessoais e que João se preocupa em agradar aos políticos, não se sustenta. Enquanto dispensa tratamento de total indiferença com aliados de Campina Grande, o chefe do executivo estadual tem feito diversas nomeações e até alterado a estrutura administrativa para contemplar nomes de João Pessoa e até mesmo do Sertão. O descaso de João Azevedo, realmente, não é com os políticos de Campina - é com Campina Grande.

Lenildo Ferreira (Hora Agora)

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