Estamos chegando a três meses de marasmo sentimental na Polícia Civil da Paraíba, estado de espírito que, para as mentes mais atentas, reflete diretamente na qualidade dos serviços de segurança pública no estado. As causas disso tudo já foram e continuam sendo publicadas pela imprensa, não havendo necessidade, portanto, que eu as reprise neste texto de hoje.
Mas antes de versar sobre as ‘sinalizações’ anunciadas no título, sou forçado pelo que entendo de coerência a fazer uma observação rápida sobre o assunto deste trimestre. Trata-se de reconhecer, baseado em que vi e li/pesquisei nesses anos todos, que o governo João Azevêdo foi, sim, o melhor da história recente da Paraíba, no quesito segurança pública. De salários a reestruturação das polícias, o estado deu um salto significativo nos últimos oito anos.
O problema é que, em se tratando de remunerações, SETORES das nossas polícias estavam tão estagnados, que qualquer avanço razoável não consegue enquadrá-los na média nordestina. Isso é facilmente comprovável, mas, como disse acima, não pretendo me alongar nesse aspecto. O grande deslize de Azevêdo foi a injustiça – também muito fácil de ser atestada – que se abateu sobre a categoria dos Investigadores da Polícia Civil. Muitos profissionais de imprensa, inclusive, turbinaram esse sentimento que completa quase um trimestre.
OS SINAIS
Mas eis que nessa sexta-feira, 20/março, a Associação dos Policiais Civis de Carreira da Paraíba (Aspol) decidiu orientar os policiais a darem uma pausa nos protestos. É uma espécie de “voto de confiança” ao vice-governador Lucas Ribeiro, que deverá assumir a cadeira mais importante do estado em menos de duas semanas.
Pela lógica das coisas, Lucas deverá começar a apresentar algo de mais concreto com vistas a equilibrar a balança da justiça na única polícia estadual – até então, pelo menos – que consegue fazer institutos de pesquisa do Sudeste dizerem “Está aqui um exemplo para o Brasil” (já falei sobre isso aqui na coluna).
Devo ir além nessa história: do ponto de vista prático, de vida real, o maior responsável pela elucidação de crimes atende pelo nome de I-N-V-E-S-T-I-G-A-D-O-R. É ele quem colhe as primeiras informações, identifica os suspeitos, consegue as provas necessárias, sai em busca dos procurados quando os mandados de prisão são expedidos, localiza os foragidos e os prendem, seja nas grandes operações programadas ou na tocaia de um beco escuro qualquer. Isso é, por baixo, 90% do que uma instituição precisa para anunciar à imprensa que o crime foi elucidado.
Há quem diga que isso – a elucidação de crimes – “é trabalho de muitas mãos”, mas cientificamente falando, eu posso provar que não. Na maioria dos crimes sob investigação, uma análise criteriosa vai apontar uma mão que se sobressai [muito!]. Isso não é desmerecer a contribuição de outros segmentos. É posicionar, de forma justa, o lugar do Investigador ‘na foto’.
O RELÓGIO
Pelo que entendi nos grupos de ‘zap’, a Aspol – com o aval da maioria dos seus associados – decidiu apostar no diálogo com Lucas, como fizeram outras entidades associativas/sindicais com João Azevêdo (e que eu apoiei aqui neste mesmo espaço do Hora Agora).
Informações não oficiais indicam que Ribeiro não pretende subestimar o fator ‘tempo’ (estamos em ano de eleição), e a força motriz da Polícia Civil poderá voltar ao vapor que expelia de suas turbinas, para o bem da sociedade.
Afinal, sem elucidação não há justiça. E sem justiça, não há paz.
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Saulo Nunes é jornalista, policial civil e escritor
