Por Alexandre Moura (*)
Uso de Inteligência Artificial nas Eleições de 2026
O avanço rápido (diria até exponencial) da IA (Inteligência Artificial) - especialmente das ferramentas de geração automática de textos, imagens, vídeos e áudios - abriu novas possibilidades para campanhas políticas e para a comunicação digital em geral. Ao mesmo tempo, especialistas em tecnologia e direito eleitoral, alertam que essa tecnologia (que podemos considerar “disruptiva” em muitas de suas aplicações) pode criar novos desafios/riscos nas eleições deste ano. Vou listar aqui três dos riscos mais relevantes, associados ao uso indevido, de IA nas eleições e possíveis soluções, para pelo menos mitigar esses “problemas”. Começando com o “mais perigoso” de todos: a geração de “deepfakes” (“conteúdos produzidos por IA capazes de reproduzir com grande realismo a voz e/ou a imagem de uma pessoa”) que pode criar vídeos e/ou áudios falsos de candidatos (manipulação criminosa de conteúdos audiovisuais), com alto potencial para influenciar os eleitores. A disseminação de vídeos/áudios manipulados pode provocar “crises rápidas e altamente danosas”, especialmente em um ambiente digital onde conteúdos viralizam em questão de minutos e muitas vezes, são compartilhados antes de qualquer verificação.
Uso de Inteligência Artificial nas Eleições de 2026 (II)
Como diminuir o risco das deepfakes (não só nas eleições, mas também, no nosso dia a dia)? Especialistas sugerem algumas medidas para pelo menos, minimizar esse problema, que considero o maior e mais perigoso de todos. A primeira sugestão é se ter “uma exigência legal de identificação dos conteúdos produzidos por IA nas campanhas eleitorais”; outra sugestão é o uso/desenvolvimento especifico de sistemas automáticos de detecção de deepfakes; uma terceira sugestão é a criação (pelos partidos/candidatos) de “canais rápidos” para checagem e desmentido de conteúdos suspeitos. Neste ponto é importante destacar que na campanha de 2026, além do “tradicional” departamento jurídico será de extrema importância, se ter um “departamento técnico” de TI (Tecnologia da Informação) especializado em IA, nas assessorias dos candidatos e/ou partidos; e por fim, o obvio: “Penalidades mais severas para campanhas que utilizarem deepfakes”. Outro ponto preocupante, é em relação a “produção massiva de informação e infelizmente também, desinformação política”. Com a “IA Generativa” é possível criar grandes volumes de textos (automaticamente), imagens e “memes políticos”, em poucos segundos, e desta forma “inundar redes sociais e aplicativos de mensagens, com conteúdos sobre partidos e/ou candidatos” ampliando assim, o alcance da informação ou no pior caso, da desinformação.
Uso de Inteligência Artificial nas Eleições de 2026 (III)
Para mitigar a “produção massiva de desinformação política”, não existem muitas opções. Entretanto, três se sobressaem. A primeira é a “transparência obrigatória sobre as empresas de geração de conteúdo das campanhas e quem financia a publicidade política online”; a segunda, é “disponibilizar sistemas (softwares) de identificação de conteúdo gerado por IA” para qualquer pessoa; e a terceira - essa de mais médio/longo prazo - “educação digital da população para identificar desinformação”. Outro risco relevante é o uso de Robôs (Bots) e campanhas automatizadas de influência e perfis automatizados, com o objetivo de “amplificar artificialmente determinadas narrativas políticas”. Os robôs podem “simular apoio popular a candidatos e/ou atacar adversários de forma coordenada, distorcendo a realidade e confundindo a sociedade, direcionando discussões online de forma artificial, influenciando assim, o voto”. Algumas sugestões para tentar minimizar esse risco: “Identificação obrigatória” de contas automatizadas nas plataformas digitais; auditorias independentes sobre algoritmos de recomendação e publicidade política; e, uso de sistemas/mecanismos de detecção de redes “coordenadas/gerenciadas” por robôs.
Uso de Inteligência Artificial nas Eleições de 2026 (IV)
Fica claro pelo conteúdo dos três tópicos acima, que a incorporação da IA no “Ecossistema Eleitoral” é inevitável e vai além da tecnologia em si. Entretanto, o grau de impacto do uso de IA (positivamente ou negativamente) nas eleições 2026, dependerá das regras e da capacidade de fiscalização adotadas pelas instituições, pelos partidos e até pelos candidatos. No médio/longo prazo - com a IA se tornando parte permanente do “ambiente político contemporâneo” - o desafio “para os políticos” não será apenas tecnológico, mas também institucional, jurídico e cultural. Vale destacar que o uso de soluções de/com IA nas campanhas, pode ser positiva, legítima e produtiva (aliás, como em qualquer outra atividade humana). Por exemplo, ferramentas avançadas de análise de dados (de/com IA) permitem segmentar o eleitorado com grande precisão (utilizando “Big Data” e Algoritmos, para identificar perfis específicos de eleitores de uma determinada cidade ou região), direcionando assim, propaganda/mensagens políticas específicas, para diferentes grupos sociais, “fenômeno”, conhecido como “Microtargeting Político”. Infelizmente, ainda não temos como vislumbrar e muito menos garantir, que a IA seja utilizada de forma correta, transparente e responsável nas eleições (e em qualquer outra atividade humana) e se as sugestões de “proteções” listadas ao longo do texto, vão funcionar a contento.
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Engenheiro Eletrônico, Mestrado em Engenharia Elétrica, MBAs em e Comércio Eletrônico e Software Business, pela N.S. University (Estados Unidos), Curso de “Liderança Transformadora Global” pela Nova School of Business & Economics (Portugal), Acionista da Light Infocon Tecnologia S/A, Diretor da LightBase Software Público Ltda, Conselheiro-Titular do SEBRAE-PB, Fundador e Membro do Conselho de Administração do SICOOB Paraíba, Co-autor do livro: “Ecossistema de Inovação de Campina Grande, sua trajetória e conexão com o Sebrae Paraíba”, Ex-Presidente da ACCG e da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado da Paraíba e Diretor de Relações Internacionais da BRAFIP.
