A advogada Áricka Cunha foi presa dentro do próprio escritório, em Goiás, na última quarta-feira (15), após publicar críticas em redes sociais a respeito de um procedimento policial. A prisão foi determinada e cumprida pelo delegado Humberto Teófilo, responsável pelo caso criticado pela advogada. No momento da prisão, o policial portava armamento pesado.
Segundo as informações, a advogada divulgou trechos de um despacho que determinava o arquivamento de uma ocorrência registrada por ela, acompanhados de comentários críticos. O delegado entendeu que a publicação configuraria crime contra a honra e determinou a detenção da profissional.
Áricka Cunha foi presa no interior do escritório, algemada e conduzida à delegacia. Ela permaneceu detida por algumas horas e foi liberada após pagamento de fiança. Em manifestação, a advogada afirmou que a prisão foi ilegal e caracterizou o episódio como abuso de autoridade, destacando que houve violação das prerrogativas da advocacia.
O caso provocou reação imediata da OAB em Goiás, que instaurou procedimento para apurar os fatos e avaliar eventual responsabilização do delegado. A entidade aponta indícios de desrespeito à inviolabilidade do escritório e às garantias legais da profissão.
Em sua versão, o delegado Humberto Teófilo negou abuso e afirmou que a prisão ocorreu dentro dos parâmetros legais. Segundo ele, a advogada teria ultrapassado os limites da crítica ao imputar conduta irregular à autoridade policial, o que, em sua avaliação, caracteriza difamação. O delegado também sustentou que a medida foi necessária diante da materialidade do crime e da divulgação pública das acusações.
A Polícia Civil de Goiás informou que o caso será analisado pela Corregedoria, enquanto a OAB acompanha o episódio e promete adotar medidas institucionais.
