Eleições 2026: Sugestões aos candidatos a governador da Paraíba, para desenvolver e incrementar, os Ecossistemas Locais de Inovação


 Por Alexandre Moura (*)

Eleições 2026:  Sugestões aos Candidatos a Governador da Paraíba, para desenvolver e incrementar, os Ecossistemas Locais de Inovação

Com a aproximação das eleições estaduais de outubro de 2026, cresce a expectativa sobre como os futuros gestores irão tratar um dos temas mais estratégicos para o desenvolvimento econômico da Paraíba: o fortalecimento dos Ecossistemas Locais de Inovação (ELIs), uma iniciativa apoiada e incentivada pelo SEBRAE. Cidades como Campina Grande (com o E.InovCG, recentemente, referenciado em um “paper”, publicado em nível global, por Pesquisadores da Curtin University da Austrália), João Pessoa, Guarabira, Patos, Monteiro, Sousa e Cajazeiras já apresentam iniciativas relevantes, mas ainda enfrentam desafios estruturais para consolidar ambientes inovadores, sustentáveis e competitivos. Nesse contexto, a atuação coordenada entre o Governo Estadual e o SEBRAE pode ser determinante para acelerar resultados (já existe um Convênio sobre o tema entre o Estado da Paraíba e o SEBRAE, precisando ser reforçado e expandido nos próximos anos). Políticas públicas bem desenhadas, aliadas ao suporte técnico e à capilaridade do SEBRAE, podem transformar esses Ecossistemas em “potentes motores” regionais para o desenvolvimento e crescimento, da economia paraibana.

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A seguir, tomo a liberdade de apresentar algumas sugestões que podem orientar os Candidatos ao governo da Paraíba, na construção de propostas consistentes e exequíveis, para os Ecossistemas existentes e outros que possam ser criados e desenvolvidos. É ponto pacifico que uma das principais lacunas dos Ecossistemas, é a falta de coordenação contínua entre universidades, empresas, governo e a sociedade civil. A criação de programas regionais, com governança estruturada e metas claras por cidade, com os prefeitos e secretários, entendendo que a participação da prefeitura (ou prefeituras onde o ELI abarcar mais de um município), pode garantir maior alinhamento entre os atores e assim, fortalecer o desenvolvimento econômico de cada cidade, deve ser um ponto de incentivo concreto por parte do governo estado, incluindo aporte de recursos. O SEBRAE vem fazendo um excelente trabalho nos sete ELIs mencionados acima, com consultorias em metodologia de governança, capacitação de lideranças e monitoramento de indicadores de desempenho. Entretanto, ele não pode atuar sozinho e muito menos de forma continua. O governo, as empresas (seja as de base tecnológica ou as “tradicionais”, visto que o ganho será para toda a economia) e suas entidades locais (Associações Comerciais e CDLs, por exemplo) devem estar engajadas neste esforço! Todos vão sair ganhando.

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Outra sugestão é aumentar/facilitar o “Acesso a Crédito e Investimento para Startups”. Apesar do crescimento do empreendedorismo inovador, ainda há escassez de capital nas fases iniciais do negócio. Aqui vale aplaudir e destacar, o “Programa Centelha” gerido no estado pela FAPESQ – Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado da Paraíba, em parceria com a FINEP e o CNPq, “programa nacional que visa estimular a criação de empreendimentos inovadores e fortalecer a cultura empreendedora, disponibilizando recursos financeiros (subvenção econômica), capacitações e mentorias para transformar ideias em negócios”. O governo estadual pode/deve, em parceria com o SEBRAE, estruturar fundos de investimento locais, programas de subvenção econômica e mecanismos de garantia de crédito, conjuntamente com “preferência de compra para soluções apresentadas pelas startups, em Hackathons promovidos pelos ELIs”. Evidentemente, que essa iniciativa deve ser adequada à realidade de cada cidade, considerando vocações locais, como por exemplo, tecnologia e economia criativa em Campina Grande. Outro ponto importante que merece atenção, é a formação de Recursos Humanos. Ninguém discorda que a base de qualquer Ecossistema inovador é o capital humano. Programas integrados apoiados pelo governo, entre escolas públicas e privadas, universidades e o SEBRAE podem ampliar a formação em empreendedorismo, tecnologia e inovação, começando pelo ensino fundamental e médio. Além disso, iniciativas de capacitação prática, como laboratórios de inovação e programas de pré-aceleração, podem preparar melhor os jovens para o mercado de trabalho, em todas as regiões do estado.

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Embora Campina Grande e João Pessoa já possuam Ecossistemas mais desenvolvidos, cidades como Patos, Sousa, Cajazeiras, Guarabira e Monteiro e mais recentemente, Mamanguape, ainda estão em fase de consolidação. Políticas específicas de interiorização - como hubs regionais, coworkings públicos, incentivos fiscais e programas de atração de startups - podem reduzir desigualdades e estimular o desenvolvimento equilibrado no estado. A integração/colaboração entre os Ecossistemas atuais e futuros, deve ser sempre buscada. Outra sugestão é incentivar as “empresas tradicionais” a participarem de Programas de Inovação Aberta. A maior parte da economia paraibana ainda está baseada em negócios tradicionais e se faz necessário inseri-las no contexto da “nova economia’. Isso inclui desde digitalização de processos até adoção de tecnologias como IA (Inteligência Artificial), e-commerce, automação e análise de dados. Por fim, é muito importante estabelecer indicadores claros, para medir o desempenho dos Ecossistemas e os investimentos sendo realizados, através de mecanismos (sistemas) de acompanhamento contínuo, permitindo ajustes nas políticas públicas e maior transparência nas ações. O fortalecimento dos Ecossistemas Locais de Inovação na Paraíba exige mais do que iniciativas isoladas: demanda visão estratégica, continuidade administrativa e articulação institucional. Ao incorporar propostas como essas em seus Planos de Governo, os candidatos poderão contribuir para posicionar a Paraíba como um polo forte de Inovação no Nordeste, com impactos diretos na qualidade de vida da população, na geração de emprego, renda e na competitividade regional e nacional.

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Engenheiro Eletrônico, Mestrado em Engenharia Elétrica, MBAs em e Comércio Eletrônico e Software Business, pela N.S. University (Estados Unidos), Curso de “Liderança Transformadora Global” pela Nova School of Business & Economics (Portugal), Acionista da Light Infocon Tecnologia S/A, Diretor da LightBase Software Público Ltda, Conselheiro-Titular do SEBRAE-PB, Fundador e Membro do Conselho de Administração do SICOOB Paraíba, Co-autor do livro: “Ecossistema de Inovação de Campina Grande, sua trajetória e conexão com o Sebrae Paraíba”, Ex-Presidente da ACCG e da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado da Paraíba e Diretor de Relações Internacionais da BRAFIP.

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