Antes, deixa eu contextualizar: o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) é a instituição mais procurada no Brasil, pela grande imprensa, para tratar sobre o tema-pauta das eleições 2026, que é a segurança pública. O órgão é composto por profissionais que realizam grandes e importantes pesquisas em todo o país, além de apresentar postura o mais próximo possível daquilo que chamamos de ‘imparcialidade’. Como leitor assíduo do FBSP, assino o que estou dizendo.
Agora voltemos à Paraíba. Em seus primeiros dias de chefe do Executivo estadual, o governador Lucas Ribeiro já mexeu no tabuleiro de alguns cargos das forças de segurança. Medida, claro, absolutamente normal. Além de ter todo o direito de aplicar as mudanças, o gestor precisa contar com as pessoas em quem confia.
Conversas de bastidores apontam para mais ‘cadeiras dançantes’ nos próximos dias em delegacias e batalhões. Culturalmente – e não se sabe por quais motivos –, essas mudanças são acompanhadas de elogios e/ou lamentações exageradas, como se quem está chegando fará algo muito diferente dos que estão deixando seus assentos (inocência define).
A FONTE
Por mais que um governador queira e precise trocar de ‘chefes’ nas polícias; por mais que os fã-clubes façam festa ou velório com a entrada/saída de seus ídolos; sinto muito informar que, no fundo, pouco ou nada mudará na segurança pública das pessoas nas ruas ou em casa. E isso não é ‘culpa’ do governador de plantão.
Com que autoridade eu afirmo isso? Bom... além do conhecimento empírico acumulado em mais de 17 anos de atividade policial, a instituição mais procurada no Brasil, pela grande mídia, para tratar sobre o tema-pauta das eleições 2026, ratifica o que estou dizendo. Lá na página 71 de um relatório do FBSP que faz um ‘raio-X’ das forças de segurança, o Fórum é bem claro para quem quer entender.
Abramos aspas:
“Porém, até pelo grande efetivo das forças de segurança pública, que se aproxima das 800 mil pessoas, as soluções não podem estar estruturadas apenas nos reajustes simples dos salários. Há desníveis internos significativos entre os profissionais que recebem o piso e aqueles que recebem o teto, que inclusive geram situações de desmotivação e desalento”.
“A conclusão comum nas duas comparações é que, de forma URGENTE, governos precisam repensar as estruturas de carreiras, cargos e salários. A valorização profissional pode e deve ser buscada por intermédio de ajustes mais profundos nos modelos organizacionais e na distribuição mais aderente às necessidades operacionais de cada instituição”.
“Modelos mimetizados das Forças Armadas Federais, como muitas vezes têm sido apontados como solução, e/ou projetos de equiparação às carreiras do sistema de justiça mostram-se incapazes de resolver os dilemas da segurança pública”.
A REFLEXÃO
Não vou fazer juízo de valor [por enquanto] sobre os três parágrafos acima. Apenas sugerir ao leitor que reflita sobre cada trecho.
E lembrá-los de que lágrimas ou palminhas nos momentos de mudanças de chefes nunca – jamais! – trarão a segurança que a população precisa nas ruas ou dentro de suas próprias casas.
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Saulo Nunes é jornalista, policial civil e escritor
