Por Alexandre Moura (*)
O Rádio resiste à “Era Digital”, se reinventa e mantém relevância mesmo com o avanço das Redes Sociais
Durante décadas, o rádio foi o principal meio de comunicação de massa no Brasil e no mundo. Presente nos lares, automóveis, empresas e nas áreas rurais mais isoladas, este “veículo de comunicação” construiu uma “relação de proximidade” com a população difícil de ser replicada por outras mídias. Com a “explosão” na Internet, das plataformas de streaming e das redes sociais, muitos especialistas chegaram a prever o “fim do rádio”. Mas a realidade observada atualmente, aponta para outro cenário: o rádio não desapareceu - está se adaptando, se transformando a cada novo desafio. Dados recentes da pesquisa “Inside Áudio 2025”, realizada pela empresa “Kantar IBOPE Media”, indicam que o rádio segue alcançando milhões de brasileiros, com 79% da população ouvindo rádio regularmente (registrando uma média diária de 227 minutos de escuta), inclusive entre os jovens. O principal diferencial continua sendo a combinação entre informação rápida, “companhia”, credibilidade das emissoras locais e facilidade de acesso. Por outro lado, especialistas em comunicação avaliam que o rádio vive uma fase de transição tecnológica, semelhante à que ocorreu com os jornais impressos nos últimos 20-25 anos. A diferença é que o rádio conseguiu/consegue adaptar-se com mais velocidade ao ambiente digital. Hoje, uma emissora de rádio já não depende apenas da transmissão em FM. Muitas operam simultaneamente em: aplicativos móveis; plataformas de streaming; transmissões ao vivo com vídeo; podcasts; redes sociais; canais no YouTube; assistentes virtuais (com IA – Inteligência Artificial); e “smart speakers” (“equipamentos que se conectam à Internet e são capazes de realizar uma série de tarefas por meio de comandos de voz do usuário).
O Rádio resiste à “Era Digital”, se reinventa e mantém relevância mesmo com o avanço das Redes Sociais (II)
Na prática, o rádio deixou de ser apenas “um aparelho” e passou a “ser um conteúdo multiplataforma”. O modelo tradicional, baseado exclusivamente em frequência hertziana, vem cedendo espaço para o moderno conceito de “rádio expandido”, no qual a emissora distribui conteúdo em diversos formatos digitais, mantendo a essência da comunicação ao vivo e da conexão local (proximidade e instantaneidade). Mesmo diante da concorrência acirrada das redes sociais, o rádio mantém características que continuam altamente valorizadas. Como a “rapidez na divulgação de informações”; mobilidade; comunicação regionalizada; forte vínculo emocional com o público; e, credibilidade em situações de crise. Em cidades do interior do Nordeste, por exemplo, o rádio ainda exerce papel central na circulação das notícias locais, prestação de serviços públicos e cobertura política regional. Influenciando debates políticos, econômicos e comunitários, além de manter grande audiência em programas específicos de variedades, jornalísticos e esportivos. Durante eventos extremos – por exemplo, apagões, enchentes e falhas de Internet - o rádio também costuma recuperar protagonismo devido à sua simplicidade tecnológica e ampla cobertura.
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Entretanto, como colocado acima, a “concorrência” vem se acirrando a cada dia e o impacto da Internet, é profundo. As novas gerações “consomem conteúdo de maneira fragmentada, sob demanda e altamente personalizada”, graças a Internet. Isso obrigou o rádio a disputar atenção com: o TikTok; o Instagram; o YouTube; o Spotify; além de podcasts independentes; e, streamings musicais. O ouvinte atual não quer apenas ouvir, ele deseja interagir, comentar, compartilhar e participar em tempo real. As rádios que atenderem estes “desejos”, vão continuar sendo as preferidas e com audiência “garantida”. Por isso, muitas emissoras passaram a incorporar linguagem audiovisual e estratégias digitais. Já é comum programas de rádio serem transmitidos simultaneamente em vídeo e com “cortes” sendo distribuídos nas redes sociais minutos depois da transmissão ao vivo. “Influenciadas” pela Internet, as rádios tornaram-se também, produtoras de conteúdo digital. Inicialmente vistos como concorrentes, os podcasts passaram a funcionar como extensão das emissoras tradicionais. Diversas rádios brasileiras e de outros países, passaram a transformar entrevistas, debates e comentários em conteúdos sob demanda, ampliando alcance e monetização. Esse movimento ajudou o rádio a dialogar com públicos mais jovens e conectados. Analistas do setor observam que “o áudio vive, na verdade, uma nova fase de expansão global”. O que mudou foi a forma de “distribuição do conteúdo de áudio”. Nesse cenário, o rádio possui uma vantagem histórica: “experiência consolidada em produção de conteúdo sonoro e distribuição/comunicação imediata”.
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Apesar dessa resiliência, o setor enfrenta dificuldades importantes. A “publicidade” tem migrado para plataformas digitais, especialmente Google e Meta, reduzindo receitas tradicionais das emissoras. Pequenas rádios locais sentem mais intensamente o impacto financeiro da transformação digital. Muitas enfrentam dificuldades para investir em tecnologia, equipes multimídia e presença digital profissional. Além disso, a concorrência tornou-se global. Antes, uma rádio disputava audiência apenas com outras emissoras locais; hoje disputa atenção com influenciadores, streamers, podcasts internacionais e plataformas de entretenimento de alcance mundial (mesmo elas também, passando a ter alcance global). Mas, afinal o rádio tem futuro? Ou melhor, como será a rádio do futuro? A resposta da pergunta tende a ser tem futuro sim! Mas não exatamente no formato tradicional. O rádio do futuro provavelmente será: multiplataforma; interativo; híbrido (áudio e vídeo); integrado às redes sociais; orientado por “dados/informações/desejos dos ouvintes e com uso de IA” (Inteligência Artificial) para tratar esses dados gerados pela audiência. A “simples” transmissão em FM ainda deve permanecer relevante por alguns anos aqui no Brasil, especialmente em regiões onde o acesso à Internet é limitado. Porém, o crescimento do consumo digital deve transformar progressivamente, o modelo operacional das emissoras. “A capacidade de criar conexão emocional, transmitir informação em tempo real e acompanhar o cotidiano das pessoas, continua sendo um diferencial competitivo difícil de ser substituído completamente”.
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Engenheiro Eletrônico, Mestrado em Engenharia Elétrica, MBAs em Comércio Eletrônico e Software Business, pela N.S. University (Estados Unidos), Curso de “Liderança Transformadora Global” pela Nova School of Business & Economics (Portugal), Curso de “Nuevos Retos Y Desafios para El Desarrollo Local Sostenible” pela Universidade de Valencia (Espanha), Acionista da Light Infocon Tecnologia S/A, Diretor da LightBase Software Público Ltda, Conselheiro-Titular do SEBRAE-PB, Fundador e Membro do Conselho de Administração do SICOOB Paraíba, Co-autor do livro: “Ecossistema de Inovação de Campina Grande, sua trajetória e conexão com o Sebrae Paraíba”, Ex-Presidente da ACCG e da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado da Paraíba e Diretor de Relações Internacionais da BRAFIP.
