Campina Grande, 12 de maio de 2026
Tem uma história que Campina Grande conta com orgulho. No final dos anos 1960, enquanto a maioria das cidades do Nordeste mal tinham asfaltado suas ruas principais, Campina Grande recebia o primeiro computador da região, um mainframe IBM, instalado na então Universidade Federal da Paraíba. Isso já era sinal do jeito único de ser que a cidade carrega até hoje: uma vocação de empreender, de inovar e de querer sempre ser destaque positivo.
Essa mesma cidade que está para receber dois computadores quânticos de 20 e 100 qubits em agosto de 2026, é hoje a única do Brasil reconhecida pela UNESCO na categoria de Artes Midiáticas, o que a coloca numa rede com mais de 400 cidades do mundo que usam a criatividade como motor de desenvolvimento. É a cidade onde a UFCG lidera o ranking nacional de patentes universitárias. É a cidade que transmitiu eventos online antes de todo mundo, nos anos 1990, quando isso ainda não tinha nome. É a cidade que foi a segunda maior exportadora de algodão do mundo no início do século XX, atrás apenas de Liverpool, e que reinventou esse legado criando o algodão colorido, uma inovação pioneira no mundo, disponível nas variações sol, jade, safira, topázio e verde.
Campina Grande/PB, é ao mesmo tempo, a cidade que recebe mais de 3 milhões de visitantes nos mais de 40 dias de São João, o maior do mundo, que também detém o recorde mundial de maior quadrilha junina.
Quem de fora olha para esse conjunto de fatos costuma achar que há algum exagero. A verdade é que não há. O que há é uma história simplesmente maravilhosa que retrata a paixão da sua gente por ser o centro de irradiação cósmico do universo.
Pois bem, o Ministério do Turismo, em parceria com a UNESCO e o Instituto ACDF, decidiu contar essa história. Nas três edições da revista Turismo Brasil publicadas no primeiro semestre de 2026, Campina Grande figura como um dos destinos mais estratégicos do Brasil. Na primeira edição, dedicada às Cidades Criativas da UNESCO, a cidade ocupa posição central como única representante brasileira em Artes Midiáticas, com cobertura detalhada sobre o Programa FelizCidade, o Ecossistema de Inovação e o conceito pioneiro de Turismo de Autoria, uma modalidade em que visitantes não apenas observam, mas cocriam obras de arte midiática, transformando a experiência turística em participação ativa. Na terceira edição, voltada aos Destinos Turísticos Inteligentes, a cidade é apresentada como polo de vanguarda tecnológica no Nordeste, a Rainha da Borborema onde inovação digital e cultura popular colaboram no mesmo território.
Com isso estamos dizendo que o Ministério do Turismo, com chancela da UNESCO, destaca Campina Grande como destino de propósito e não apenas como destino de passagem. Somado a isto, a presença do Ecossistema de Inovação de Campina Grande (E.InovCG), nas páginas de uma publicação federal com distribuição nacional e apoio da UNESCO projeta a cidade e suas iniciativas para além das fronteiras do Nordeste, consolidando cada vez mais o ecossistema como referência institucional para gestores públicos, investidores e atores de outros ecossistemas que buscam modelos replicáveis de governança colaborativa.
É para fomentar e ampliar esse protagonismo da nossa cidade que existe o E.InovCG. Criado a partir da metodologia ELI de quádrupla hélice, o ecossistema reúne universidades como UFCG, UEPB e UNIFACISA, institutos de pesquisa como o INSA e a EMBRAPA, o Sistema S representado pelo SEBRAE e SENAI, empresas privadas, startups e representantes do governo local. Todos sentados à mesma mesa, com reuniões periódicas estratégicas, grupos de trabalho e metas concretas, operando a partir da Agência do SEBRAE Campina Grande, com infraestrutura e apoio técnico permanentes. Isso é exemplo de governança colaborativa funcionando na prática.
O resultado mais visível desse trabalho coletivo tem nome próprio: a Rota Caminhos da Inovação. A Rota é, na essência, o produto que transforma o ecossistema de Campina Grande numa experiência visitável. Através de seis roteiros temáticos — Tecnologia, Saúde e Biotecnologia, Agro, Educação, Economia Criativa e Gestão do Ecossistema — que permitem a qualquer delegação, investidor, gestor público ou simples curioso mergulhar no que a cidade construiu, em vez de apenas ouvir sobre isso numa apresentação de slides à distância.
Num dos roteiros, o visitante passa pelo INSA, o único instituto nacional dedicado ao Semiárido, que atende 11 estados e desenvolve pesquisas em recursos hídricos, produção animal e sustentabilidade. Em outro, conhece o Hospital HELP, referência regional que atende 60% dos seus pacientes pelo SUS, apresentando inovação com impacto social medido em vidas. Num terceiro, visita a EMBRAPA, onde nasceu o algodão colorido que ainda surpreende o mundo. E em todos eles, a UFCG aparece como protagonista: a universidade que lidera o ranking nacional de patentes, que abriga o único bacharelado em Arte e Mídia do país e que formou mais de 1.600 educadores pelo Programa FelizCidade, alcançando 75 mil estudantes e estimulando mais de 100 startups.
Tudo isso com fichas técnicas, horários de visita, agências receptivas operacionais, e uma plataforma digital para agendamento. Não é mais um projeto no papel, é um produto pronto do E.InovCG, com portfólio editorial publicado em agosto de 2025 e identidade visual que combina rigor técnico com um elemento de diferenciação sofisticado, um cordel literário que narra o ecossistema na linguagem mais nordestina que existe. Apresentando o place branding com alma e coração.
Na semana passada, a Rota passou por mais um grande desafio. Campina Grande recebeu uma delegação de Santa Rita do Sapucaí, cidade mineira conhecida como o Vale da Eletrônica e berço do HackTown, um dos festivais de tecnologia, inovação e empreendedorismo mais relevantes do Brasil atualmente, que transforma a pequena cidade do sul de Minas num polo de conexão entre startups, investidores e talentos de todo o país. Santa Rita do Sapucaí, uma cidade que sabe o que significa construir um ecossistema de inovação com identidade própria, foi exatamente a cidade que escolheu Campina Grande para uma missão de benchmarking.
Para mim, esse detalhe diz mais do que muitos rankings. Quando o Vale da Eletrônica, com sua tradição em formação técnica e eventos de escala nacional como o HackTown, decide atravessar o país para aprender com o que Campina Grande construiu e está construindo, fica claro que o ecossistema campinense está sendo reconhecido como interlocutor legítimo entre os polos de inovação do interior brasileiro.
A visita não foi protocolar. Nos dois dias de imersão, a delegação percorreu o PaqTcPB, o segundo parque tecnológico do Brasil, inaugurado em 1984, o NUTES da UEPB, o CITTA e os laboratórios do VIRTUS da UFCG, o SENAI, o INSA, o Hospital HELP, a UNIFACISA e o MAC. Conheceu o Museu dos Três Pandeiros, projetado por Oscar Niemeyer, almoçou no Bar do Cuscuz, restaurante com mais de 50 anos de tradição e jantou na Tábua de Carne, onde a gastronomia regional encontra o refinamento. Encerrou no Sebrae Lab, onde encontrou os atores do E.InovCG para conversar, conectar e plantar sementes de projetos conjuntos. Dois dias que foram, na prática, um argumento vivo de por que Campina Grande é um destino de inovação.
Para o E.InovCG, a visita de Santa Rita do Sapucaí e o reconhecimento nas três revistas do Ministério do Turismo chegam num momento estratégico. A Rota Caminhos da Inovação está estruturada e pronta, os atores do ecossistema engajados e de braços aberto para receber a próxima grande missão técnica. O próximo passo é escalar esse fluxo, transformar visitas pontuais em agenda permanente, integrar a Rota às feiras nacionais de turismo de negócios, aos eventos realizados na cidade, às redes de cidades criativas da UNESCO e às rotas de prospecção de investimentos para o Nordeste.
A Rota Caminhos da Inovação é o nosso convite. O nosso ecossistema está de portas abertas.
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Carlos Alejandro Rueda Angarita
Consultor Empresarial, Mentor Internacional de Negócios Inovadores e de Impacto Social, na Carlos Rueda Consultoria, Doutor, Cum Laude, em Economia da Empresa, Mestre em Desenvolvimento de Sistemas para o E-commerce, Mestre em Economia da Empresa pela Universidad de Salamanca (Espanha), Administrador de Instituições de Serviço pela Universidad de La Sabana (Colômbia), +10 anos de experiencia em cargos de liderança, CEO do Núcleo Gestor do Ecossistema de Inovação de Campina Grande (E.INOVCG), Especialista em Empreendedorismo no Parque Tecnológico Horizontes da Inovação (PTHI), Embaixador da Economia Criativa da RBCC - Rede Brasileira de Cidades Criativas (UNESCO), Colunista do Portal Digital Hora Agora, Co-líder do NASA Space Apps International Challenge e do Tech Brazil Advocates Campina Grande.
