A oposição na Paraíba, notadamente o grupo ligado ao senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB) e ao ex-prefeito de João Pessoa Cícero Lucena (também MDB), pré-candidato ao Governo do Estado, ainda não desistiu de tentar atrair o apoio do Partido dos Trabalhadores e, especificamente, do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.
Mesmo com o apoio declarado do PT estadual ao governador e pré-candidato à reeleição, Lucas Ribeiro, anunciado em abril Cícero chegou a afirmar que a decisão local não incluía o próprio Lula. Além disso, de maneira lacônica, Veneziano declarou na semana passada que essa queda de braço é um jogo que ainda não estava decidido.
É que os emedebistas ainda esperam que os rumos do partido de Lucas no cenário nacional, possivelmente se alinhando à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), atrapalhem a aliança do PT com o governador na Paraíba. Além disso, surgiu um fato novo que pode virar mais uma carta na manga de Veneziano e Cícero.
A senadora Daniella Ribeiro (PP), mãe de Lucas, foi a única representante da Paraíba na Câmara Alta do Congresso a não revelar seu posicionamento na votação que rejeitou a indicação de Jorge Messias, advogado-geral da União, para o Supremo Tribunal Federal, uma derrota vexatória que atingiu duramente a liderança de Lula.
Veneziano publicizou seu voto a favor de Messias, assim como o também senador Efraim Filho (PL), pré-candidato a governador, revelou ter sido contra. Daniella, por seu turno, manteve o exercício do direito ao voto secreto. A parlamentar, contudo, é muito próxima do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (Uniãi/AP), que articulou a derrota fragorosa de Lula no caso Messias.
Opositores contam com a própria indignação pessoal do presidente da República, em razão do revés histórico, para pintar o silêncio de Daniella como uma admissão de possível voto contrário a Jorge Messias e, consequentemente, suposta traição do grupo da paraibana ao governo petista, para tentar estimular uma descostura do apoio a Lucas Ribeiro.
Lenildo Ferreira - Hora Agora
Imagem: Waldemir Barreto/Agência Senado
