Por Saulo Nunes
Era esperado. Em algum momento deste segundo semestre de 2026, o governador Lucas Ribeiro seria ‘bombardeado’ por seus adversários das eleições que se aproximam, por um motivo bem específico: o abismo salarial aberto dentro da Polícia Civil no final de 2025, quando um acordo assinado pelo então governador João Azevêdo elevou de R$ 25 mil para R$ 35 mil o salário final dos delegados. Aos investigadores e escrivães da mesma corporação, João ofereceu um [tímido] pulo de R$ 8 mil para R$ 9 mil em final de carreira. A insatisfação, claro, foi geral.
A fenda aberta não estremeceu as estruturas apenas da Polícia Civil. As polícias Militar e Penal também sentiram o impacto do que chamam de “tratamento desigual” por parte do governo e engrossaram os movimentos nas ruas, manifestações amplamente divulgadas pela imprensa.
O próprio senador Efraim Filho, pré-candidato a governador nestas eleições, participou de vários protestos. E agora, tanto ele quanto Cícero Lucena – que também deverá disputar o Executivo – movimentaram os meios de comunicação nas últimas 24 horas, reforçando o pleito de 90% (ou mais) dos corpos que vestem as fardas/uniformes das forças policiais do estado.
CÍCERO, NA CBN
“Vou valorizar os profissionais da Polícia Militar. Hoje, é o segundo pior salário dos policiais do Brasil, eu vou deixar o melhor salário do Nordeste para os policiais da Paraíba”.
EFRAIM, EM SUAS REDES SOCIAIS
“Se o governo não cumpriu agora, pode ter certeza que em janeiro de 2027, os investigadores, os escrivães e o grupo GPC terão também o seu acordo implementado, para que se faça justiça com essa categoria”.
O ESTADÃO
O jornal O Estado de S. Paulo, conhecido como Estadão, publicou recentemente uma lista dos estados que pagam os 10 maiores salários de delegados no Brasil. Segundo o Estadão, das 27 unidades federativas, a Paraíba paga o 9º melhor salário para os delegados.
O ÚLTIMO DA FILA
De acordo com associações e sindicatos dos investigadores na Paraíba, o estado amarga a última (há quem fale em penúltima) cadeira dessa fila, quando o assunto é salário de investigador no Brasil.
Esse abismo salarial caiu no colo de Lucas Ribeiro.
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Saulo Nunes é jornalista, policial civil e escritor
