E FALOU POUCO | Alexandre de Moraes acertou em cheio ao criticar a segurança pública no Brasil


Se a sociedade civil organizada [de verdade] soubesse como as polícias do Brasil funcionam na vida real, ela faria um movimento para extinguir todas forças de segurança e criar outras instituições novas. Do zero! Calma, que eu não estou sozinho nessa. Isso é apenas uma versão mais detalhada do que o ministro Alexandre de Moraes disse em uma audiência pública, palavras que ainda repercutem na imprensa e redes sociais. 

Você pode até não gostar de ‘Xandão’ – eu também tenho minhas críticas ao ministro –, mas o que ele disse para o mundo ouvir é a mais cristalina verdade. E o pior: Moraes classificou o problema como “a maior dificuldade de todas” que o nosso país enfrenta para combater o crime organizado como se deve. 

V-A-I-D-A-D-E. Sete letrinhas que fazem o sistema de segurança brasileiro NÃO funcionar. Político metendo o dedo; cúpulas mais preocupadas com seus interesses pessoais/familiares; engrenagens policiais movidas por um modelo criado ainda pela caneta de D. Pedro I, sem que ninguém se mexa para fazer o que é necessário.  Tudo mantido por uma V-A-I-D-A-D-E que saiu como uma flecha pela boca de Alexandre. 

‘EXPERIMENTO SOCIAL’

Seu Sebastião, cidadão do povo, idoso, está sentado no banco da Praça da Bandeira, em Campina Grande. O jornalista Renato Diniz, cumprindo uma pauta da emissora em que trabalha, chega para esse cidadão e exibe dois ‘formatos’ de procedimentos policiais para seu Sebastião escolher. 

O primeiro formato é o já aplicado no Brasil desde o Grito do Ipiranga. O segundo, que só sai da boca de raríssimas vozes encorajadas, é baseado no que o mundo moderno adota há muito tempo. Se o idoso não descartar o modelo vigente – ou seja, o que é oferecido pelos governos estaduais há décadas –, eu paro de escrever meus artigos aqui no Hora Agora. 

Repita-se o experimento com o comerciante da esquina; o estudante no ponto de ônibus; o transeunte assustado; a senhora da igreja; o morador da casa invadida; o povo que sofre com a violência todos os dias. Se todos eles, sem exceção, não recusarem o atual formato das nossas polícias, eu passo a escrever sobre Ufologia ou coluna social. 

Gostem ou não do Xandão. O erro dele foi não ter estendido mais sua fala sobre o assunto. 

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Saulo Nunes é jornalista, policial civil e escritor


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