Lígia não foi escolhida por somar mais; foi por dividir menos – Por Lenildo Ferreira


A escolha de um vice busca preencher, inicialmente, critérios de adição. Tem preferência quem traz para o cabeça de chapa aquilo que lhe acrescente algo em falta, seja um fator geopolítico, um partido, um bloco de aliados, um nicho do eleitorado, uma bandeira.

É um casamento de interesses e conveniências, que abra portas que estavam fechadas, que construa pontes, que desbrave caminhos. Um vice ideal não é, portanto, mero contrapeso, figurativo, complementar, alguém somente para, se eleitos, eventualmente substituir o titular.

A definição, portanto, é uma matemática política. 

Há situações, porém, em que essa natureza se inverte e a operação algébrica e eleitoral transmuda. 

Por força das variáveis inconstantes da política, o quadro nas hostes do governo indicou que o vice admitido como ideal já não seria aquele que mais soma, e sim quem menos divide.

Eis o exato retrato da escolha da médica Lígia Feliciano, duas vezes vice-governadora da Paraíba, para outra vez compor a majoritária, agora com Lucas Ribeiro.

Lígia desbancou uma dúzia de nomes considerados favoritos. Passou por cima das barrigadas de setores irrequietos da mídia e cassandras da imprensa. 

Ganhou a corrida dentro de um bloco no qual não soma.

Lígia é de Campina, como Lucas (politicamente) é. É de uma família já entrelaçada com os clãs governistas. Seu partido até federado com o do governador é. Não tem nicho próprio, bandeira em destaque. O fato de ser mulher apenas a equipara a outros nomes que estavam na lista de cotados.

Porém, o caso é que os favoritos na corrida interna da ala governista até somavam atributos ao cabeça da chapa, porém também dividiam – e dividiam demais. 

Uns operavam a divisão na própria base aliada. Outros puxavam Lucas para extremos do espectro, fazendo aquele efeito matemático do “mais com mais dá menos” – nesse caso, menos eleitores apoitando o candidato.

Feitas as contas, lidas as listas, ouvidos todos, noites de cálculos, o problema encontrou em Lígia o “elemento neutro”: não soma, mas também não divide.

A ex-vice-governadora não agrega aliados, mas não provoca rompimentos; não acrescenta votos, mas não espanta eleitores. 

No cenário que tem pela frente, Lucas e equipe certamente concluíram que, nesse caso, não perder é ganhar. 

A matemática, assim como a política, é fria, e ambas almejam a máxima precisão do resultado. No final das contas, noves fora, zero –  e zero foi considerado lucro. 

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Lenildo Ferreira é jornalista e advogado

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