SEGURANÇA | Dez perguntas que eu faria a candidatos a governador e presidente nos debates - Saulo Nunes


Um candidato ao governo do estado que nunca viajou para outros países, pra mim, está ultrapassado. Se a intenção do político é lançar seu nome à Presidência da República, então, nem se fala. Na minha opinião, pretensos gestores públicos devem conhecer muito de perto como as coisas funcionam além das fronteiras.

Eu nunca pisei os pés fora do Brasil. Tento fazê-lo pela internet, em pesquisas diárias sobre aquilo que me desperta interesse. Mas se um dia, eu decidisse me lançar candidato a algum cargo político (Deus me livre 500 vezes!!!), daria um jeito de visitar as nações que detêm as melhores referências de serviço público. E voltaria com as malas cheias de novidade.

No caso especifico da segurança pública – que parece ser o tema principal das eleições 2026 –, os debates entre os candidatos têm revelado conhecimento raso dos postulantes a respeito da pauta. É um ‘mais do mesmo’ requentado a cada quatro anos. 

Então, se eu tivesse o poder financeiro de montar a estrutura para um debate desses, eu faria as perguntas listadas abaixo. E como se diz no popular, “quem não aguentar que corra”.

TOP 10

1 – Diante de um problema tão grave como é a violência no Brasil, o senhor já estudou ou determinou uma equipe sua estudar modelos de segurança pública que dão certo em outros países?

2 – O senhor já parou para pensar sobre o que instituições como Fórum Brasileiro de Segurança Pública e Instituto Sou da Paz, por exemplo, querem dizer quando escrevem “necessidade de reestruturação das polícias”?

3 – O senhor tem conhecimento de como o sistema de segurança, incluindo polícias, Ministério Público e até mesmo o Poder Judiciário, se relaciona nos 50 países mais seguros do planeta? 

4 – O senhor deve ter, claro, diversos candidatos a cargos legislativos apoiando sua candidatura (e vice-versa). Eles sabem como é a lei penal, de processo penal e de Execução Penal nos 50 países mais seguros do mundo?

5 – Nos 50 países mais seguros do mundo, o senhor acha que a maior parte dos investimentos vai para o trabalho de investigação ou de polícias ostensivas? 

6 – Nesses mesmos países, essas polícias são juntas ou separadas? Ou o senhor acha que isso não influencia no resultado final?

7 – Por que na Europa, por exemplo, tem tanto tráfico de drogas, mas não tem violência?

8 – O senhor sabe a diferença de como se dá o “rito processual” nas polícias do Brasil e nas dos 50 países mais seguros do mundo, assim que os policiais tomam conhecimento de um crime?

9 – O senhor já procurou saber como é o sistema de concurso/recrutamento para quem deseja ser policial nos 50 países mais seguros do mundo?

10 – O que impede o senhor de, após tantos anos na política, dar um jeito de buscar essas informações?

ENXUGANÇA DE GELO

É no Brasil inteiro. Candidatos à cadeira do Poder Executivo não se cansam de citar aquisição de armas e viaturas, realização de concursos públicos e promessas de melhores salário [que nunca chegam] como o remédio para curar a epidemia da violência. De quatro em quatro anos. Décadas a fio.

O pano ensopa, e o gelo só derrete. 

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Saulo Nunes é jornalista, policial civil e escritor

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