DECAÍDA SALARIAL | Investigadores da Polícia Civil vivem o pior momento de sua história na Paraíba - Por Saulo Nunes


Em frente ao prédio da Central de Polícia de Campina Grande, no bairro do Catolé, uma senhora encosta seu carrinho de lanches às 6h, para garantir o café de quem não fez a primeira refeição em casa e, porventura, queira adoçar o dia com um cafezinho e uma tapioca. É ali naquele recanto que policiais das mais variadas gerações compartilham seus causos, angústias e nostalgias.

Turbinado pelo momento eleitoral, um dos assuntos mais comentados é série histórica salarial dos investigadores. De acordo com os canas mais antigos, décadas atrás o salário em final de carreira de um investigador girava em torno de 60% do que o governo pagava ao delegado também em fim de carreira. Eu disse sessenta por cento.

Nada de absurdo. Em pleno 2026, estados como Rio de Janeiro, Pará, Distrito Federal e Amazonas, por exemplo, pagam salários que variam de R$ 18 mil a R$ 24 mil aos investigadores que estão prestes a se aposentar. São valores que representam 50% ou mais do que se paga aos delegados em seus respectivos estados.

Só que a Paraíba costuma ser vexame nacional em alguns assuntos. Neste, especificamente, o poço da vergonha parece não ter chão. Ao longo dessas duas décadas, a disparidade remuneratória entre os dois cargos ganhou distância, a ponto de, em pleno 2026, delegado e investigador “levarem para casa” os salários brutos de R$ 35 mil e R$ 9 mil, respectivamente. Ou seja, quem investiga e elucida o crime (resumindo as atribuições) recebe 25% - eu disse vinte e cinco por cento – de quem faz o relatório sobre o caso encerrado (resumindo as atribuições).  

ESTADÃO

Eu já disse em outro artigo aqui no Hora Agora, mas não custa nada lembrar que o jornal Estado de São Paulo (Estadão) publicou a lista dos dez estados que pagam os melhores salários aos delegados de polícia. A Paraíba, segundo o Estadão, é o 9º colocado no Brasil. 

Nada contra, para deixar bem claro. Aqui ou na fila da tapioca da Central, o que se repudia é o tratamento injusto, também retratado como o pior momento da história para os investigadores da Paraíba. 

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Saulo Nunes é jornalista, policial civil e escritor

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