A edição 2026 do relatório intitulado “Raio-X das Forças de Segurança Pública do Brasil”, publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), dá uma alfinetada certeira no estado da Paraíba logo na página 10 do documento (que totaliza 164 páginas). O trecho do relatório critica o que chama de “quadro de fortes disparidades internas, regionais e entre várias corporações policiais”.
O parágrafo abaixo é de inteira autoria do FBSP:
“Um escrivão da Polícia Civil ganha cerca de R$ 8,6 mil na Paraíba, enquanto a média nacional é de R$ 12,9 mil. Já um delegado no Ceará recebe cerca de R$ 41,2 mil, contra R$ 23,1 mil em Minas Gerais. Essa fragmentação federativa cria um sistema em que a mesma carreira tem valores completamente diferentes conforme a localização geográfica, afetando diretamente a atratividade profissional e a retenção de talentos”.
Os cargos de escrivão, investigador e agente operacional compõem a classe investigativa na Polícia Civil paraibana. O salário de R$ 8,6 mil informado pelo Fórum é pago ao policial que já está em fase final de carreira. Portanto, a Paraíba paga quase R$ 5 mil a menos do que a média nacional, para o mesmo cargo/profissional que está na reta final de trabalho.
“TRÊS EM TRINTA”
O salário inicial do escrivão – e dos demais cargos da classe investigativa paraibana – é de R$ 6,500,00 bruto (sem contar os descontos). O salário final, conforme mencionado pelo Fórum, paira sobre R$ 8.600,00 (também valor bruto). Ou seja, o investigador da PCPB passa 30 anos trabalhando para ver seu salário valorizar menos de R$ 3.000,00 nessas três décadas.
PIOR DOS CENÁRIOS
Um levantamento recente realizado pela Associação dos Policiais Civis de Carreira da Paraíba (Aspol) ‘fatiou’ o período de carreira da classe investigativa em três partes: período inicial (1 a 10 anos de serviço), período mediano (11 a 20 anos) e período final (21 a 30 anos).
O estudo mostra que em TODOS esses períodos de sua vida profissional o policial civil da Paraíba é o que recebe o pior salário do país. Em outras palavras, não há uma só espaço temporal em que o investigador paraibano tenha vantagem salarial sobre os policiais de mesmo cargo nos demais estados brasileiros.
Não foi à toa que o FBSP escolheu o ‘exemplo’ da Paraíba...
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Saulo Nunes é jornalista, policial civil e escritor
