Campina Grande, “Cidade Criativa da UNESCO” - Título completa cinco anos - Por Alexandre Moura


Por Alexandre Moura (*)

Campina Grande, “Cidade Criativa da UNESCO” - Título completa cinco anos 

No próximo dia 8 de novembro, Campina Grande “comemora” cinco anos do reconhecimento internacional pela UNESCO (órgão das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), como “Cidade Criativa, na Categoria Artes Midiáticas”, passando assim, a fazer parte da Rede de Cidades Criativas da UNESCO (UNESCO Creative Cities Network — UCCN), rede internacional dedicada à integração entre cultura, criatividade, inovação e desenvolvimento urbano sustentável. Este selo, quando bem “trabalhado”, amplia as oportunidades de negócios, turismo, empreendedorismo e cooperação tecnológica. O desafio é converter o prestígio da UNESCO em políticas públicas, investimentos e resultados concretos para a população e para o Ecossistema Local de Inovação (o E.InovCG). O reconhecimento fortalece ainda, a posição de Campina Grande, entre as cidades brasileiras que utilizam a “criatividade como instrumento de desenvolvimento”. Mais do que uma distinção honorífica, o título representa uma oportunidade estratégica para consolidar a imagem de Campina Grande como um centro de produção de conhecimento, tecnologia e soluções criativas. Em uma cidade que reúne universidades, centros de pesquisa, empresas de tecnologia, instituições de apoio ao empreendedorismo e iniciativas culturais, o reconhecimento funciona como “elo entre áreas que nem sempre são exploradas de maneira integrada”. A questão central, portanto, não é apenas celebrar a conquista, mas compreender como ela pode contribuir para o fortalecimento do Ecossistema Local de Inovação e para a diversificação da economia da cidade.

Campina Grande, “Cidade Criativa da UNESCO” - Título completa cinco anos (II)

Criada em 2004, a Rede de Cidades Criativas da UNESCO promove a cooperação entre municípios que reconhecem a criatividade como fator estratégico para o desenvolvimento sustentável. A rede contempla oito áreas: Artes Midiáticas, Artesanato e Artes Folclóricas, Design, Cinema, Gastronomia, Literatura, Música e Arquitetura. Segundo a UNESCO, as cidades-membros da rede comprometem-se a compartilhar experiências, desenvolver parcerias internacionais, fortalecer as indústrias culturais e criativas e incorporar a cultura às estratégias de desenvolvimento urbano. A rede também está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da “Agenda 2030 das Nações Unidas”. No caso de Campina Grande, a categoria Artes Midiáticas possui especial relevância por aproximar expressões artísticas e culturais, de recursos tecnológicos, incluindo arte digital, audiovisual, fotografia digital, jogos eletrônicos, experiências imersivas e outras formas de criação e inovação, apoiadas por meios digitais. Essa conexão encontra terreno favorável em uma cidade reconhecida por sua vocação tecnológica e acadêmica. O título permite apresentar internacionalmente, essa combinação de competências e estimular novas oportunidades de colaboração entre artistas, desenvolvedores, pesquisadores, empreendedores e investidores. É importante, entretanto, compreender que o selo não significa a concessão automática de recursos financeiros, incentivos fiscais ou investimentos internacionais. Seu valor está principalmente no reconhecimento, na visibilidade, na cooperação e na capacidade de mobilizar instituições e “mercados”, em torno de uma estratégia de desenvolvimento local.

Campina Grande, “Cidade Criativa da UNESCO” - Título completa cinco anos (III)

O reconhecimento da UNESCO contribui diretamente para fortalecer o E.InovCG, especialmente quando associado à capacidade já instalada de pesquisa, desenvolvimento tecnológico, formação de profissionais e criação de novos negócios. A convergência entre esse ambiente tecnológico e o reconhecimento em “Artes Midiáticas” abre oportunidades em pelo menos cinco frentes: Novos negócios e startups; incentivo a integração entre universidades e o mercado; Cooperação internacional; Atração de investimentos; e, Inovação nas “empresas tradicionais” aqui instaladas. A oportunidade estratégica consiste em conectar essas iniciativas à agenda de Artes Midiáticas de uma forma geral. Assim, a criatividade deixa de ser vista exclusivamente como manifestação cultural e passa a ser compreendida também, como fonte de propriedade intelectual, inovação empresarial, novos produtos, serviços digitais e geração de renda. Um exemplo disso, é a “Rota Caminhos da Inovação”, desenvolvida pelo E.InoivCG com total apoio do SEBRAE e parcerias com outros atores locais. A iniciativa procura aproximar visitantes, instituições e empreendedores da estrutura de ciência, tecnologia e inovação da cidade. O aumento do fluxo de visitantes interessados nessas experiências, beneficia hotéis, restaurantes, empresas aéreas, agências de turismo, espaços culturais, guias, artesãos e estabelecimentos comerciais. Esse é um “produto turístico” permanente, capaz de atrair visitantes durante todo o ano. Impactando de forma positiva a economia e “mantendo” a cidade na mídia, de forma continua. Como se pode concluir com as colocações acima, os efeitos econômicos do título podem alcançar diversos segmentos, inclusive aqueles que não atuam diretamente com tecnologia ou produção artística.

Campina Grande, “Cidade Criativa da UNESCO” - Título completa cinco anos (IV)

Desta forma, a identificação de Campina Grande como “Cidade Criativa da UNESCO” contribui para diversificar a promoção turística do município. Além do tradicional Maior São João do Mundo e dos eventos religiosos, científicos e empresariais, a cidade pode ampliar sua oferta de experiências relacionadas à tecnologia, à arte digital, à produção audiovisual, aos museus e à cultura regional (através e com) a ampliação, por exemplo, da “Rota Caminhos da Inovação” para as “empresas tradicionais” que utilizam tecnologia em seus negócios. Um exemplo é o destaque dado a Campina Grande, em maio passado, em publicação do Ministério do Turismo dedicada aos destinos brasileiros, com ênfase em Artes Midiáticas e na conexão entre cultura, turismo e inovação. Com relação a “emprego, renda e empreendedorismo”, a “economia criativa” oferece oportunidades para profissionais de diferentes formações, como programadores, designers, artistas, produtores audiovisuais, músicos, publicitários e especialistas em marketing digital. Também abre espaço para microempreendedores individuais e pequenas empresas prestadoras de serviços especializados. O fortalecimento desse mercado pode ajudar a reter talentos formados pelas instituições de ensino locais, reduzindo a necessidade de migração para outros centros em busca de oportunidades profissionais. Outro ponto importante, é que, a combinação de reconhecimento internacional, capital humano qualificado e infraestrutura tecnológica, pode ampliar a competitividade de Campina Grande na disputa por novos empreendimentos. Empresas de tecnologia, estúdios criativos, produtoras audiovisuais e negócios digitais podem encontrar na cidade um ambiente favorável para desenvolver e testar soluções. Claro que esse potencial econômico, depende de políticas de incentivo adequadas, infraestrutura, formação profissional, acesso a financiamento e articulação entre o poder público, as universidades e o empresariado. Além disso, a cultura, o patrimônio, as manifestações populares e o conhecimento produzido na cidade, podem gerar novas oportunidades quando associados a produtos, serviços e experiências inovadoras. A digitalização de acervos, a criação de jogos educativos, o turismo interativo e a produção de conteúdos sobre a história regional, são exemplos de iniciativas que podem combinar preservação cultural e geração de negócios. Por último, vale colocar que, a principal condição para que o reconhecimento da UNESCO produza efeitos duradouros é a continuidade de uma estratégia integrada. Campina Grande não precisa escolher entre ser uma “cidade tecnológica ou uma cidade cultural”. Seu diferencial está justamente em combinar essas duas vocações. Se conseguir articular bem isso, a cidade poderá consolidar uma estratégia de desenvolvimento em que criatividade, conhecimento e tecnologia se convertam em competitividade, renda e qualidade de vida para sua população. Com informações do SEBRAE, do E.InovCG, da UNESCO e da PMCG.

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Engenheiro Eletrônico, Mestrado em Engenharia Elétrica, MBAs em Comércio Eletrônico e Software Business, pela N.S. University (Estados Unidos), Curso de “Liderança Transformadora Global” pela Nova School of Business & Economics (Portugal), Curso “Nuevos Retos Y Desafios para El Desarrollo Local Sostenible” pela Universidade de Valencia (Espanha), Acionista da Light Infocon Tecnologia S/A, Diretor da LightBase Software Público Ltda, Conselheiro-Titular do SEBRAE-PB, Fundador e Membro do Conselho de Administração do SICOOB Paraíba, Co-autor do livro: “Ecossistema de Inovação de Campina Grande, sua trajetória e conexão com o Sebrae Paraíba”, Ex-Presidente da ACCG e da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado da Paraíba e Diretor de Relações Internacionais da BRAFIP.

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