Guerra: Folha e Metrópoles trocam acusações sobre suposta interferência de Vorcaro em reportagens


A divulgação de mensagens apreendidas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro abriu uma disputa pública entre a Folha de S.Paulo e o Metrópoles. Os dois veículos passaram a publicar reportagens atribuindo um ao outro relações que teriam permitido ao ex-dono do Banco Master tentar influenciar conteúdos jornalísticos. As empresas negam interferência editorial.

A Folha, reproduzindo inicialmente apuração do UOL, informou que a direção do Metrópoles enviou pelo menos 14 textos antecipadamente a Vorcaro e que 11 sofreram alterações após pedidos do banqueiro. Entre os exemplos, estão a retirada de referência à Hapvida de uma reportagem e mudanças em um perfil de Renato Gomes, então diretor do Banco Central, incluindo a exclusão de trecho sobre eventual falência do Master. 

Outro episódio envolve Ricardo Cappelli, crítico da operação de compra do Master pelo BRB. Segundo as mensagens, Vorcaro perguntou se seria possível “dar uma freada” na cobertura sobre Cappelli durante uma semana e recebeu de Lilian Tahan, CEO do Metrópoles, a resposta “Deixa comigo”. A Folha também destacou que o Master firmou contrato publicitário de R$ 20 milhões com o portal. O Metrópoles nega relação entre publicidade e conteúdo editorial e afirma que publicou reportagens críticas aos negócios de Vorcaro. 

O Metrópoles reagiu com acusações contra a Folha. O portal publicou mensagens segundo as quais Vorcaro ofereceu R$ 1 milhão ao gestor de crise Guilherme Barros para tentar adiar e amenizar uma reportagem do jornal em 2024. O dinheiro teria sido pago posteriormente a Barros. O Metrópoles sustenta ainda que sugestões favoráveis ao Master chegaram ao texto e que uma reunião de Vorcaro com o então diretor de Redação Sérgio Dávila não foi divulgada na coluna Painel. 

A Folha nega ter adiado ou suavizado a reportagem a pedido do banqueiro. Afirma que concedeu prazo para que Vorcaro fosse ouvido, que desconhecia o pagamento de R$ 1 milhão ao gestor e que recebeu R$ 516,4 mil em publicidade de empresas ligadas a ele ao longo de cinco anos. O jornal classificou a ofensiva do Metrópoles como retaliação à publicação das revelações sobre o portal. 

Lenildo Ferreira / Hora Agora

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