Por Lenildo Ferreira
O rompimento de um tanque do reservatório 5 da Cagepa, no bairro da Prata, em Campina Grande, completa dois meses nesta quinta-feira, 08, sem nenhum esclarecimento efetivo por parte das autoridades sobre o que causou o colapso da estrutura, provocando a morte de uma pessoa e a destruição parcial ou total de imóveis.
Até agora, os laudos técnicos que deveriam esclarecer os fatos continuam fora do alcance da sociedade. Não há informações sobre o andamento das investigações por parte da Polícia Civil e do Ministério Público. Consequentemente, ninguém foi responsabilizado.
Vereadores e deputados, de recesso, aparentemente esqueceram o assunto, mesmo após se cogitar até a instalação de uma comissão parlamentar de inquérito na Câmara Municipal de Campina Grande. A tragédia, assim como o tema correlato das condições estruturais dos demais reservatórios, caminha para o esquecimento.
Do ponto de vista da resposta e mitigação às consequências do colapso, as reparações acordadas com as vítimas ocorreram com celeridade e eficiência. Ao todo, teriam sido pagos R$ 3,7 milhões em indenizações a 67 famílias que moram na área afetada.
O valor representa uma conta paga por todos os paraibanos, afinal, a Cagepa é uma empresa pública. E a ele se soma o custo impossível de mensurar de uma vida perdida, assim como o trauma de uma tragédia que não pode ser, jamais, tomada como mero incidente inevitável.
Estruturas não rompem do nada, nem mesmo as mais simples. Por que o reservatório colapsou? Houve negligência? Quais as razões? Quais os responsáveis? Quais serão as consequências legais? São perguntas até agora sem respostas e às quais interligam-se novos questionamentos: quando os resultados dos laudos serão divulgados? Quando as investigações serão concluídas?
Governo do Estado, Cagepa, Ministério Público, Polícia Civil e todos os demais órgãos que tenham a competência e atribuição de investigar o caso precisam cumprir o dever de responder a cada umas destas questões. A sociedade tem o direito sagrado e inafastável de saber o que de fato aconteceu.
A tragédia da Prata não pode submergir nas águas turvas do esquecimento.
