Da lama ao caos do caos a lama… - Por Waltair Pacheco de Brito Júnior


A música de Chico Science e Nação Zumbi, fazia uma critica à instabilidade social e a luta diária pela sobrevivência nas periferias das cidades com especificidade para a cidade do Recife anos 90.

“Me organizar pra desorganizar”, “da lama ao caos do caos a lama”.

A música retrata a pobreza e a desigualdade social, num misto de revolta apontando para a fome e sonho propondo mudanças à triste realidade presente numa organização social que transformasse profundamente o quadro, promovesse uma revolução.

Chico Science morreu e com ele tudo que cantou, mas se estivesse vivo hoje, talvez não cantasse esta música pensando na luta pela sobrevivência na periferia da cidade, ou sonhando com uma mudança significativa dos seus moradores, mas talvez pensando no Brasil.

Talvez cantasse pensando na luta diária de homens e mulheres de bem, cidadãos deste País que pagam seus impostos, que andam em dia com a justiça, que não dão seus direitos a nada ou a ninguém, ver o caos instalado onde a organização deveria ser produzida.

Talvez cantasse pensando na luta de brasileiros de Norte a Sul, de Leste a Oeste desta terra brasileira, humildes, simples tendo dificuldades para matar a fome, cumprir com seus compromissos, suprir suas necessidades diante do caos produzido por quem ordem deveria produzir.

Talvez cantasse retratando a luta da maioria dos cidadãos desta Nação para sobreviverem ante um sistema podre, carcomido, corrupto e sufocante que não lhes concedem por direito suas necessidades básicas, como saúde, educação, segurança, lhes negando uma vida de bem-estar.

Talvez ainda cantasse a luta diária e desigual entre quem está na base da produção lutando honestamente pelo pão, e quem está na ponta do sistema, com suas vidas de riqueza, luxo e ostentação advinda da corrupção.

Quem sabe não cantaria a luta dos muitos brasileiros injustiçados contra a lama de um sistema judicial inquisitório que prende os inocentes, solta os criminosos, que age com rigor inconstitucional para com os pobres e frouxidão para os nobres.

Ainda cantaria sobre a luta desigual e persistente do eleitor consciente contra a lama de uma politica suja que compra eleitores inconscientes e inconsequentes mantendo um sistema opressor e deprimente que não produz políticos que os represente.

Cantaria sem dúvida com uma ressignificação pontual e cabida a luta de um povo que parece não ter saída, pois de muito vive: da lama ao caos do caos a lama.

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