Entre 2015 e o primeiro semestre de 2025 as companhias aéreas brasileiras tem acumulado um prejuízo de quase R$ 55 bilhões; dados segundo a ANAC – Agência Nacional de Aviação Civil. É algo que parece sem lógica, mas quanto mais gente voa, mais dinheiro as empresas perdem.
Até 2014 a média de passageiros transportados subiu 6,7% e no primeiro semestre de 2025 o aumento foi de 11,1% quando comparado aos seis primeiros meses de 2024. A taxa média de ocupação dos aviões foi de 85% no mês de outubro de 2025, a maior já registrada para o período.
Problemas macroeconômicos demonstra uma crise estrutural e permanente, outro ponto como falhas regulatórias ameaçam a sobrevivência das empresas aéreas brasileiras. Desde a pandemias os custos das empresas aéreas foram elevados, além de fatores como a questão cambial, as empresas operam com uma intensa dolarização de custos, enquanto que suas receitas são em reais. Segundo a ABEAR – Associação Brasileira de Empresas Aéreas, 57% das despesas são em dólar, entre elas, combustível, lubrificantes, seguro, arrendamento e manutenção das aeronaves.
Só o QAV - Querosene de Aviação, responde por cerca de um terço dos custos das empresas aéreas, um dos maiores custos podendo responder a cerca de 38% dos custos totais de uma companhia aérea. Mesmo com 90% do QAV sendo produzido no Brasil, a politica de preços segue a paridade internacional, como se fosse importado.
Um outro problema são os juros no Brasil, o país mantém uma das taxas mais altas do mundo, o que eleva os custos no arrendamento das aeronaves e financiamento em capital de giro.
O PIB – Produto Interno Bruto do país, resultam diretamente no maior ou menor número de passageiros. O consumidor demonstra sensibilidade ao preço em função da renda e isso afeta diretamente as tarifas, isso torna o negócio mais desafiador. Manter uma boa taxa de ocupação é fundamental para as companhias aéreas, mas com o passageiro sensível ao preço, baixar as tarifas torna arriscado.
No Brasil apenas três empresas dominam o mercado, mas com o atual cenário, fica praticamente impossível a criação ou a entrada de novas empresas aéreas; além do custo da frota, manutenção obrigatória e seguro com valores elevados.
Podemos notar que o mercado brasileiro é grande e pouco rentável, isso devido ao baixo poder aquisito da população, o que limitar ao valor a ser cobrado pelas empresas aéreas. Como se não bastasse, outra preocupação do setor é a reforma fiscal, assunto já bem discutido por especialistas do setor.
Para finalizar, no Brasil há uma considerável judicialização do setor, tornando o Brasil como líder mundial. segundo a Anac só no primeiro semestre de 2025, os processos passaram dos R$ 710 milhões de reais, três vezes maior que em 2024. Constantes ações são judiciais são movidas contra as empresas aéreas gerando custos gravíssimos e assim, promovendo baixa nos lucros.
Boa viagem e boa leitura.
Alessandro Sousa - Agente de Viagens há 28 anos
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