Paraíba entre os "climbers" da inovação nacional: o que o IBID 2025 revela sobre nosso ecossistema - Carlos Rueda


Campina Grande, 20 de janeiro de 2026

A Paraíba acaba de entrar para um grupo seleto: o dos estados brasileiros que mais aceleraram no ranking nacional de inovação na última década. Ao lado de Paraná, Piauí e Amapá, nosso estado figura como "climber" ou escalador no Índice Brasileiro de Inovação e Desenvolvimento (IBID) 2025, divulgado recentemente pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Mais do que um número em uma planilha, essa posição revela uma história poderosa: a Paraíba está subindo mais rápido que a maioria.

O que é o IBID e por que ele importa

Antes de celebrarmos os avanços, é fundamental entender o que está sendo medido. O IBID é um índice sintético que avalia o desempenho dos ecossistemas de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) dos 27 estados brasileiros e cinco macrorregiões. Com metodologia idêntica ao Global Innovation Index (GII) da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), o índice permite comparar o Brasil internacionalmente e, ao mesmo tempo, enxergar as dinâmicas internas do país.

O IBID analisa 80 indicadores oficiais (IBGE, INPI, MEC, Finep, Receita Federal) organizados em sete pilares: Instituições, Capital Humano, Infraestrutura, Economia, Negócios, Conhecimento e Tecnologia, e Economia Criativa. Esses pilares se dividem em dois grandes blocos: Contexto (os insumos para inovar, como educação, infraestrutura e ambiente de negócios) e Resultado (os efeitos concretos da inovação, como patentes, empresas de base tecnológica e impacto econômico).

Para a Paraíba, esse índice não é apenas uma métrica acadêmica. Ele serve como ferramenta de negociação com a União, bancos públicos e investidores privados, além de orientar onde concentrar políticas públicas para gerar retorno rápido. Estados que sobem no IBID ganham legitimidade para pleitear recursos federais e atrair capital privado para setores estratégicos.

Números que falam por si: o impacto real na economia paraibana

Em 2025, o desempenho da Paraíba no IBID foi impulsionado por avanços concretos e mensuráveis. Segundo informou a Pesquisa Mensal de Serviços, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o setor de serviços, que responde por cerca de 70% do PIB estadual, cresceu 9% no acumulado do ano, ficando em 2º lugar no Brasil. Esse crescimento não é abstrato: gerou mais de 24 mil novos empregos qualificados e elevou a receita nominal do setor em 10%.

No comércio, os números impressionam ainda mais. A Paraíba liderou o país em crescimento varejista em outubro de 2024, com alta de 19% em relação ao mesmo mês do ano anterior. No acumulado de janeiro a outubro, o avanço foi de 12,9%, quase três vezes a média nacional de 5%. Esse desempenho colocou a Paraíba no 3º lugar entre todos os estados brasileiros e gerou 25 mil novos postos de trabalho formais.

A consequência prática? O potencial de consumo do estado saltou para a faixa de R$ 102 a 111 bilhões, avançando nove posições e alcançando o 7º lugar nacional. Segundo números consolidados pela Junta Comercial do Estado da Paraíba (JUCEP), foram abertas 63 mil novas empresas em 2025, um crescimento de 22% impulsionado principalmente pelo varejo. Iniciativas como o programa Liquida Campina que reuniu 600 lojas com descontos de até 70% e o parcelamento de ICMS mostraram como políticas estaduais podem alavancar resultados.

Eficiência acima da renda: o diferencial estratégico do Nordeste

Aqui reside um dos insights mais potentes do IBID 2025 para a Paraíba: nosso estado converte insumos em resultados de inovação acima do esperado para o nível de renda per capita. Essa característica não é exclusiva da Paraíba, praticamente todo o Nordeste (exceto Alagoas) apresenta esse padrão de eficiência. Mas o que significa isso na prática?

Significa que, mesmo com restrições orçamentárias e menor PIB per capita que o Sul e Sudeste, a região nordestina consegue extrair mais inovação de cada real investido. O relatório do INPI é explícito: os estados do Nordeste superam Norte e Centro-Oeste em produtividade inovadora, ou seja, na capacidade de transformar contexto (educação, infraestrutura, crédito) em resultado (patentes, startups, impacto econômico).

Para investidores e gestores públicos, essa narrativa de eficiência demonstra que aportes na Paraíba têm potencial de retorno elevado, justamente porque o ecossistema local já aprendeu a fazer mais com menos.

Lideranças setoriais: onde a Paraíba se destaca

O IBID 2025 também revela nichos onde a Paraíba já possui vantagem competitiva. O estado alcançou o 10º lugar nacional em Absorção de Conhecimento, dimensão que mede a cooperação entre universidades e empresas, a contratação de mestres e doutores pelo setor produtivo e o uso de instrumentos de fomento à inovação. Esse indicador é crucial pois mostra que as pontes entre academia e mercado estão funcionando.

Em Economia Criativa, a Paraíba ocupa a 17ª posição nacional, puxada por ativos intangíveis como software, turismo de eventos e presença digital, setores impulsionados por iniciativas como plataformas de economia criativa regional.

No pilar Economia, especificamente na dimensão "Indústria, Comércio e Serviços", o estado ficou em 19º lugar com tendência de alta, reflexo direto do crescimento varejista e da sofisticação dos serviços empresariais e digitais.

Liderança regional: a Paraíba no contexto do Nordeste

Quando comparamos a Paraíba com os demais estados nordestinos, a posição de liderança em crescimento comercial fica ainda mais evidente. No acumulado de 2025, a Paraíba registrou expansão varejista de 5,7% a 6,7%, superando Rio Grande do Norte (+4% a 5%), Bahia (+3% a 4%), Piauí (+2% a 3%) e Pernambuco (+1,5% a 2%). A média regional do Nordeste ficou em torno de 2,2%, ou seja, a Paraíba cresceu mais de três pontos percentuais acima da média regional.

Vale destacar que, no ranking geral do IBID, o Rio Grande do Norte lidera a região Nordeste desde 2021. Essa é uma referência importante pois evidencia que há espaço para estados nordestinos disputarem posições de destaque nacional. A trajetória de "climber" da Paraíba indica que o estado está no caminho certo para reduzir a distância.

Gargalos e a agenda do futuro

Celebrar avanços não significa ignorar desafios. A Paraíba, como a maior parte do Nordeste e do Norte, ainda figura entre os 16 últimos colocados no ranking geral do IBID. Sul e Sudeste seguem concentrando os maiores índices e ocupam sete dos oito primeiros lugares nacionais. São Paulo lidera com IBID de 0,872, três vezes a média brasileira de 0,29, e mantém hegemonia em todos os sete pilares.

O relatório do INPI aponta que pilares como Conhecimento e Tecnologia e Economia Criativa apresentam as maiores desigualdades entre estados, com São Paulo abrindo vantagem superior a 0,5 pontos sobre o segundo colocado. Isso revela forte concentração de atividades intensivas em propriedade intelectual e criatividade.

Para a Paraíba, é preciso melhorar a uniformidade entre os pilares. Estados como Distrito Federal, Rio de Janeiro e Espírito Santo têm bons insumos em algumas dimensões, mas performance desigual, o que compromete o índice geral. A estratégia paraibana deve ser diferente: identificar onde já temos vantagem (sustentabilidade, impacto do conhecimento, absorção de conhecimento) e concentrar recursos para ampliar essas lideranças, enquanto corrigimos gargalos em infraestrutura, crédito e P&D.

O que fazer agora: agenda para os ecossistemas

O IBID 2025 não é apenas um diagnóstico, é uma ferramenta estratégica para definição de ação. Para que a Paraíba mantenha a trajetória de "climber" e dispute posições mais altas no ranking nacional, é necessário mobilizar todos os atores do ecossistema:

Governo estadual e municipal: pode usar o IBID como base técnica para decisões de política pública e, sobretudo, para negociar recursos federais, linhas de crédito de bancos públicos e parcerias com grandes empresas. A narrativa de eficiência acima da renda é um argumento poderoso para atrair investimentos.

Setor privado: aproveitar o momento de crescimento para investir em setores estratégicos como serviços tecnológicos, economia criativa, turismo de eventos e varejo sofisticado. Onde as plataformas digitais locais devem ser expandidas.

Universidades e Institutos de Ciência e Tecnologia: ampliar ainda mais a cooperação com empresas, a Paraíba já é 10ª nacional nisso, o que mostra que há um caminho testado e validado. Programas de mestrado profissional, parcerias para P&D aplicado e incentivo à contratação de mestres e doutores pelo setor privado devem ser priorizados.

Empresários e empreendedores: explorar os programas de fomento e incentivos à inovação disponíveis, aproveitando que o estado está bem posicionado em "Apoio à inovação" (uma das dimensões do pilar Negócios).

A legitimidade dos dados

É importante reforçar que o IBID não é mera opinião, ele aporta dados concretos. Ele utiliza a metodologia do Global Innovation Index da OMPI, o padrão internacional de referência em inovação, e se baseia em indicadores de fontes oficiais. Isso dá peso institucional aos resultados e torna o índice uma ferramenta respeitada para embasar reivindicações, justificar investimentos e desenhar políticas públicas.

Para a Paraíba, estar entre os "climbers" nacionais, liderar o Nordeste em crescimento comercial e apresentar eficiência acima da renda é mais que motivo de orgulho, é um ativo estratégico. Agora, cabe ao ecossistema de inovação e negócios do estado transformar esse reconhecimento em ação coordenada, investimentos direcionados e aceleração sustentável. Todos somos Ecossistema!

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Carlos Alejandro Rueda Angarita - Consultor Empresarial, Mentor Internacional de Negócios Inovadores e de Impacto Social, na Carlos Rueda Consultoria, Doutor, Cum Laude, em Economia da Empresa, Mestre em Desenvolvimento de Sistemas para o E-commerce, Mestre em Economia da Empresa pela Universidad de Salamanca (Espanha), Administrador de Instituições de Serviço pela Universidad de La Sabana (Colômbia), +10 anos de experiencia em cargos de liderança, CEO do Núcleo Gestor do Ecossistema de Inovação de Campina Grande (E.INOVCG), Especialista em Empreendedorismo no Parque Tecnológico Horizontes da Inovação (PTHI), Embaixador da Economia Criativa da RBCC - Rede Brasileira de Cidades Criativas (UNESCO), Colunista do Portal Digital Hora Agora,  Co-líder do NASA Space Apps International Challenge e do Tech Brazil Advocates Campina Grande.

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