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| Imagem: Reprodução - Instagram |
Parecia difícil acreditar que um político com a rodagem de Cícero Lucena aceitaria a tese sem nexo nem fundamento de um noviço para vice. Mas, foi o que aconteceu. Para quem supostamente lidera pesquisas, é estranho o fato público e notório de ninguém querer ser o companheiro de chapa do ex-prefeito pessoense.
Se o deputado federal Romero Rodrigues (Podemos), o deputado estadual Fábio Ramalho (MDB) e até mesmo um Pedro Cunha Lima (PSD) sem mandato não tiveram interesse em ser o vice, alguém simplesmente teve uma ideia “brilhante”: improvisar a estreia de mais um Cunha Lima na política, ainda que totalmente desconhecido dos paraibanos e um estranho para os campinenses.
Aparentemente, a aposta em Diogo veio de confundir sobrenome e nome, na crença de que, sendo Cunha Lima, é candidato forte no segundo maior colégio eleitoral do estado. E mais, certamente haverá um esforço para vincular Diogo com o avô Ronaldo, de quem Cícero foi vice.
O primeiro problema é óbvio: o eleitor sabe quem são os Cunha Lima, mas desconhece Diogo – e, ao que tudo indica, vice e versa. Perante os campinenses com título eleitoral, o companheiro de chapa de Cícero nada acrescenta. E perante todos os paraibanos a situação é evidente: isolada, sem atrair aliados, a pré-campanha do emedebista virou puro improviso.
Mais ou menos como ficou claro quando, após titubear, decidiu deixar a prefeitura, Cícero Lucena parece manter a pré-candidatura um pouco por teimosia, vaidade e sonho, e outro tanto pela palavra empenhada a aliados – embora as promessas feitas a ele pelos mesmos aliados não tenham sido cumpridas. Aliados que, por exemplo, em Campina, sequer conseguem o apoio de vereadores para seu pré-candidato a governador.
Ademais, se a campanha de Cícero for apostar na memória, vai descobrir que boa parte do eleitor atual não lembra em quem votou na eleição passada - muito menos quem foi o governador de três décadas atrás. Sem esquecer que nem todas as memórias são boas... E, além disso, ajudará os adversários na construção da narrativa do “Caboclinho” como um concorrente que supostamente representa o passado, a política velha – do tempo em que um sobrenome bastava.
O problema, naturalmente, não é Diogo; é achar que Cunha Lima (qualquer um) é, por si, a solução. O problema é o improviso. É a incapacidade cada vez mais aparente de construir uma candidatura. É a negação da crise que o projeto enfrenta. É a irritabilidade mal disfarçada (porém justificada) de Cícero. É apostar que o passado resolverá seu presente e salvará seu futuro.
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Lenildo Ferreira é jornalista e advogado
