O que a missão da Paraíba ao Web Summit Rio 2026 nos ensina sobre ecossistemas de inovação - Carlos Rueda


Campina Grande, 17 de junho de 2026

Participar do Web Summit Rio 2026, no Riocentro, foi ver a tese da Paraíba como estado de inovação ganhar corpo e voz em um dos maiores palcos globais de tecnologia, startups e investimentos da América Latina. O evento reuniu dezenas de milhares de fundadores, investidores e gestores públicos, com o objetivo de discutir tendências, apresentar soluções e gerar novas oportunidades de mercado em escala global.

Diferente de outras delegações brasileiras, a Paraíba chegou ao Web Summit com uma estratégia clara de presença institucional e fortalecimento do ecossistema. Por meio da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia, Inovação e Ensino Superior (SECTIES) e da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado da Paraíba (FAPESQ), o Governo selecionou 27 startups via Edital Simplificado nº 003/2026 e incorporou outras três vencedoras do programa Spotlight Paraíba, totalizando 30 startups oficialmente representando o estado no evento. Essa iniciativa posicionou a Paraíba como o único estado brasileiro a levar um grupo dessa dimensão ao Web Summit com recursos próprios, reforçando a ambição de estar nos principais ambientes internacionais de inovação.

No stand oficial da Paraíba, instalado na área de exposição, as startups apresentaram soluções em áreas como inteligência artificial, saúde digital, sustentabilidade, impacto social, educação, indústria criativa e serviços digitais, funcionando como uma vitrine do que o estado já é capaz de entregar em produtos e modelos de negócio inovadores. Ao longo dos quatro dias, a delegação buscou investimentos, parcerias corporativas, acesso a mercados e conexões com hubs de inovação do Brasil e do exterior, transformando o Web Summit em palco de exposição, laboratório de validação e ambiente de aprendizagem intensiva.

Trazendo um pouco do que vivenciei e que serve como insight do evento, posso comentar que, em um ambiente como o Web Summit, a presença de um especialista em empreendedorismo e inovação dentro da delegação deixa de ser detalhe operacional e passa a ser um ativo estratégico. Em vez de cada startup navegar sozinha por um mar de informações, contatos e oportunidades, esse perfil atua como “torre de controle” em tempo real, ajuda a refinar modelos de negócio, ajustar posicionamento, lapidar pitches e definir quais investidores e parceiros fazem mais sentido abordar em cada momento. O que poderia ser um fluxo caótico de cartões de visita e conversas pode virar um pipeline mais organizado de agendas, follow ups e possibilidades concretas de negócio.

No stand da Paraíba, esse tipo de atuação técnica também faz diferença para além da vitrine. Ter um time de apoio, dedicado a traduzir o ecossistema, explicando o papel da SECTIES, da FAPESQ, dos parques tecnológicos, dos atores e grandes players do ecossistema e das startups, permite que cada interação com investidores, grandes empresas, universidades, outros parques e governos seja usada para identificar sinergias reais. Em vez de conversas protocolares, surgem diálogos orientados a cooperação: pilotos, projetos de P&D, missões técnicas, programas conjuntos de incubação e aceleração, trilhas de internacionalização. Quando essa função ainda incorpora tradução e mediação cultural em interações com interlocutores estrangeiros, uma barreira a menos se coloca entre as soluções desenvolvidas na Paraíba e o mercado global, e isso amplia significativamente o alcance e o impacto da presença do estado em eventos como o Web Summit.

Eventos como o Web Summit Rio não são apenas vitrines de tecnologia; são infraestruturas temporárias de conexão de alto impacto. Em poucos dias, concentram encontros que, normalmente, exigiriam meses de viagens e agendas dispersas. Para a Paraíba, participar com uma estratégia clara cumpre vários objetivos ao mesmo tempo: reposiciona o estado no mapa da inovação nacional e internacional, acelera o amadurecimento das startups, atualiza a agenda de políticas públicas com sinais concretos de mercado e fortalece a articulação entre governo, academia, setor produtivo e ambientes de inovação.

Esse movimento ganha ainda mais sentido quando conectado a iniciativas locais estruturantes. Ontem, na sede da Fundação Parque Tecnológico da Paraíba, em Campina Grande, o Governo do Estado lançou a 15ª edição da FETECH 2026, que retorna ao calendário com o tema “Inteligência Artificial, Inovação e Sustentabilidade”. Marcada para acontecer de 7 a 12 de julho, no Centro de Convenções, a FETECH reunirá instituições públicas, universidades, institutos federais, empresas, startups e ambientes de inovação, com investimento robusto e uma programação desenhada para aproximar pesquisa, mercado e sociedade.

Há um fio condutor evidente entre a delegação de 30 startups ao Web Summit Rio 2026 e a retomada da FETECH em Campina Grande: a compreensão de que ecossistemas de inovação fortes se constroem conectando se ao mundo e, ao mesmo tempo, fortalecendo seus próprios espaços de encontro e experimentação. Quando o Governo da Paraíba, por meio da SECTIES, da FAPESQ, da Fundação Parque Tecnológico da Paraíba, entre outros atores do ecossistema, decide investir tanto em missões internacionais quanto em grandes eventos locais, transforma viagens em projetos, contatos em parcerias e narrativas em políticas públicas que redesenham o futuro da inovação paraibana.

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Carlos Alejandro Rueda Angarita - Consultor Empresarial, Mentor Internacional de Negócios Inovadores e de Impacto Social, na Carlos Rueda Consultoria, Doutor, Cum Laude, em Economia da Empresa, Mestre em Desenvolvimento de Sistemas para o E-commerce, Mestre em Economia da Empresa pela Universidad de Salamanca (Espanha), Administrador de Instituições de Serviço pela Universidad de La Sabana (Colômbia), +10 anos de experiencia em cargos de liderança, CEO do Núcleo Gestor do Ecossistema de Inovação de Campina Grande (E.INOVCG), Especialista em Empreendedorismo no Parque Tecnológico Horizontes da Inovação (PTHI), Embaixador da Economia Criativa da RBCC - Rede Brasileira de Cidades Criativas (UNESCO), Colunista do Portal Digital Hora Agora,  Co-líder do NASA Space Apps International Challenge e do Tech Brazil Advocates Campina Grande e recentemente Membro Delegado da ALAS – Latin American Startup Alliance | Cohort 2026.

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