Restrição dos EUA aos Modelos “Fable 5 e Mythos 5 da Anthropic,” pode acelerar a corrida global por soberania em IA


Por Alexandre Moura (*)

Restrição dos EUA aos Modelos “Fable 5 e Mythos 5 da Anthropic,” pode acelerar a corrida global por soberania em IA

A recente iniciativa do governo dos Estados Unidos, de restringir o acesso aos “Modelos Avançados de IA (Inteligência Artificial) Generativa de altíssima complexidade, Fable 5 e Mythos 5”, desenvolvidos pela empresa americana “Anthropic” (fundada em 2021 e conhecida por ser a criadora do “Claude”, um dos maiores e mais avançados, “assistentes virtuais” baseados em IA do mundo), representa um dos movimentos mais significativos da “geopolítica tecnológica desde as limitações impostas à exportação de semicondutores avançados para determinados países”. A medida, anunciada sob alegações de segurança nacional, impede que cidadãos estrangeiros utilizem os Modelos, mesmo quando “estejam fisicamente em território norte-americano”. Como consequência, “a empresa optou por suspender completamente o acesso às duas Plataformas para garantir conformidade regulatória”. Vale destacar que, o Fable 5 e Mythos 5 são considerados entre os sistemas mais avançados da nova geração de IA, com “capacidades em pesquisa científica, desenvolvimento de software, análise de dados complexos e descoberta de vulnerabilidades computacionais (extremamente importante para defesa cibernética)”. Essas capacidades, segundo o governo americano, “podem representar riscos à segurança nacional caso sejam utilizadas por grupos criminosos ou governos rivais”. Que é uma justificativa e preocupação legitima. 

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A restrição, já em vigor, tem Impactos operacionais e econômicos globais. Pois, “tende a provocar uma reconfiguração do mercado mundial de IA”. Empresas de diversos países que planejavam incorporar os Modelos Fable 5 ou Mythos 5 em seus processos de pesquisa, engenharia e inovação, passaram a enfrentar incertezas quanto à disponibilidade futura de tecnologias relacionadas a IA, desenvolvidas nos Estados Unidos. “Isso reforça a percepção de risco regulatório e pode acelerar investimentos em soluções alternativas desenvolvidas na Europa, China, Coreia do Sul, Japão, Índia e outros polos tecnológicos mundiais de menor porte”. Tudo indica que a medida pode gerar três efeitos econômicos imediatos: a) “Aumento dos investimentos em P&D de IA”, principalmente nos países que dependem fortemente de tecnologias norte-americanas, ampliando assim, programas de desenvolvimento de modelos próprios. A reação observada na Índia é um exemplo desse caminho. Lideranças do setor de tecnologia do país, passaram a defender a construção de uma infraestrutura tecnológica própria; b) “Fragmentação do mercado global de IA” fortalecendo desta forma, a ideia de que o mundo poderá caminhar para diferentes “blocos tecnológicos”, com “modelos de IA distintos para diferentes regiões geopolíticas, semelhante ao que ocorreu com telecomunicações, satélites e semicondutores”; e c) “Pressão” sobre empresas norte-americanas. A própria indústria dos Estados Unidos demonstrou preocupação. Mais de 50 líderes do setor de cibersegurança “defenderam a revisão da medida, argumentando que a restrição pode enfraquecer a competitividade americana e favorecer concorrentes internacionais”. 

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Por outro lado, no “campo tecnológico, os efeitos podem ser ainda mais profundos”. A decisão estabelece um precedente importante: “modelos de IA avançados passam a ser tratados de forma semelhante a tecnologias estratégicas, como armamentos, energia/sistemas nucleares ou chips de última geração”. Isso, na prática, “significa que governos poderão utilizar controles de exportação, visando limitar a disseminação de determinadas capacidades computacionais consideradas sensíveis”, a exemplo de “Computação Quântica”. Causando impactos tecnológicos do tipo: aceleração do desenvolvimento de modelos de código aberto; fortalecimento de Ecossistemas de IA fora dos Estados Unidos (aqui é uma oportunidade gigantesca para vários países, Brasil incluso); crescimento dos investimentos em infraestrutura própria de computação (inclusive quântica); aumento da busca por independência tecnológica de uma forma geral, por parte de governos e grandes empresas de outros países; e, intensificação da corrida global por Recursos Humanos em IA (por sinal já bastante aquecida). Já no Brasil, os impactos imediatos, serão sentidos principalmente, nas empresas brasileiras que utilizam IA generativa e que dependem de plataformas desenvolvidas nos Estados Unidos, a exemplo dos setores financeiro, industrial, agrícola e de TI (Tecnologia da Informação), que podem ser obrigados a diversificar fornecedores de IA; nas Universidades e Centros de Pesquisa brasileiros, como a UFCG - Universidade Federal de Campina Grande, que poderão utilizar esse episódio (de forma positiva) “como argumento para ampliar investimentos em modelos nacionais de IA, infraestrutura computacional e formação de mais recursos humanos especializados”, caso saibam aproveitar bem essa “janela de oportunidade”. 

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Outro ponto interessante é a oportunidade clara, para “fortalecer Ecossistemas Locais de Inovação focados em IA aplicada”. Aqui o papel do SEBRAE é de extrema importância (como incentivador de startups neste segmento), a exemplo do que ocorre em Campina Grande, com o E.InovCG. O descrito acima, pode beneficiar empresas e provedores europeus, chineses, indianos e soluções de código aberto de uma forma geral, criando um ambiente mais competitivo, mas também mais complexo, do ponto de vista regulatório e operacional. Tudo indica que veremos uma “nova fase da geopolítica digital”. Mais do que uma disputa envolvendo a Anthropic, a restrição aos modelos Fable 5 e Mythos 5 sinaliza que a IA passou definitivamente, a integrar o conjunto de tecnologias consideradas estratégicas, para a segurança nacional das grandes potências. Este episódio sugere ainda que, nos próximos anos, países e empresas precisarão tratar a IA não apenas como ferramenta de produtividade, mas como um ativo geopolítico. Para o Brasil, a principal lição é clara: ampliar a capacidade nacional de pesquisa, desenvolvimento e infraestrutura de IA, deixará de ser apenas uma questão de inovação e passará a ser também uma questão de competitividade econômica e soberania tecnológica. Vale sempre lembrar: “Tecnologia de ponta e estratégica, não se adquire, se desenvolve!”. Ao longo do tempo essa frase sempre é comprovada. (Com informações da Agência de Notícias Reuters, do Portal americano “The Verge” e do Jornal “The Times of India”).

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Engenheiro Eletrônico, Mestrado em Engenharia Elétrica, MBAs em Comércio Eletrônico e Software Business, pela N.S. University (Estados Unidos), Curso de “Liderança Transformadora Global” pela Nova School of Business & Economics (Portugal), Curso “Nuevos Retos Y Desafios para El Desarrollo Local Sostenible” pela Universidade de Valencia (Espanha), Acionista da Light Infocon Tecnologia S/A, Diretor da LightBase Software Público Ltda, Conselheiro-Titular do SEBRAE-PB, Fundador e Membro do Conselho de Administração do SICOOB Paraíba, Co-autor do livro: “Ecossistema de Inovação de Campina Grande, sua trajetória e conexão com o Sebrae Paraíba”, Ex-Presidente da ACCG e da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado da Paraíba e Diretor de Relações Internacionais da BRAFIP.

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