Vamos contar os "nãos"? - Por Lenildo Ferreira


Por Lenildo Ferreira

Dos três principais pré-candidatos ao Governo do Estado, apenas Cícero Lucena precisou abrir mão de alguma coisa para estar nessa condição. E não foi qualquer coisa, foi a prefeitura da capital do Estado.

Além de deixar dois anos e nove meses de mandato na segunda cadeira mais importante do poder executivo da Paraíba, Cícero ainda rompeu com seu grupo político, dentro do qual poderia ter costurado excelente acordo para permanecer.

Mas, mesmo em meio a justificadas e profundas incertezas públicas e tendo hesitado na última e paroxística hora, Cícero saiu. Cícero abriu mão da prefeitura. Cícero foi para o risco. Cícero disse “sim”.

E em troca, o que recebeu de aliados, principalmente a família Cunha Lima, com quem tem fortes laços históricos? Veio um PSD para compor e formar a proporcional, mas sem o que mais interessava a Cícero: Pedro Cunha Lima para vice.

Pedro, o mesmo que queria ser candidato a governador novamente e que manifestou interesse em disputar a prefeitura de João Pessoa em 2028, deu um “não” ao aliado e, sem muito o que justificar, alegou compromissos acadêmicos – provavelmente a explicação mais pitoresca para uma negativa em toda a já exageradamente pitoresca história da política paraibana.

O prefeito da Rainha da Borborema, Bruno Cunha Lima, mesmo sendo instado a apoiar o emedebista (o que renderia possíveis convites à primeira-dama, Juliana, para vice), também deu um “não” a Cícero, fundamentado nos compromissos havidos com o senador Efraim Filho, aliado e também pré-candidato a governador.

Ronaldo Neto, simpático, talentoso e jovem suplente de vereador, nem teve a chance de pensar em um “sim” por não ter idade suficiente para ser candidato a vice.

Ronaldo Filho – filho de Ronaldo pai e pai de Ronaldo Neto – nem sequer chegou a ser mencionado, mesmo tendo no currículo o fato de ter sido vice-prefeito de Campina Grande. Foi, portanto, um “não” sem talvez. Nas últimas semanas, tendo assumido cargo na gestão pessoense, sequer poderia mais ser cogitado. 

Agora, o ex-prefeito, ex-governador e ex-senador Cássio Cunha Lima, anunciado por Cícero Lucena para a composição de um conselho para auxiliar na pré-campanha, coisa simples, consultiva, apressou-se em também oferecer seu “não”. 

Alegando restrições contratuais, "desanunciou" o anúncio do “Caboclinho”. Um constrangimento!

Ah, mas eis que houve um "sim" da família Cunha Lima ao pré-candidato do MDB: Diogo, também filho de Cássio, aquele que o mais perto que chegou de uma candidatura foi nos idos de 2012, quando alguns entusiastas tentaram fazê-lo concorrer à prefeitura.

Com o evidente total respeito a que Diogo plenamente faz jus (a análise é meramente política), o “sim” foi esse: fazer uma experiência, um teste, lançar uma aposta para ver no que dá, como se o sobrenome (ainda) tivesse um poder quase mágico e como se uma eleição difícil para o Governo do Estado fosse a hora adequada para laboratório.

Foi, portanto, um “sim” carregado de “nãos”: o indicado a vice “não” tem qualquer experiência eleitoral; “não” é conhecido da cidade que pretende representar na chapa; “não” conhece devidamente os corredores políticos da urbe; “não” foi uma composição – foi uma tentativa de compensação.

Para Cícero, talvez tivesse sido melhor simplesmente mais uma negativa.  

Ou não?

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