Em fevereiro deste ano, o Setorial de Segurança Pública do Partido dos Trabalhadores (PT) realizou uma reunião intitulada “Segurança, Defesa e Inteligência de Estado em prol da Soberania do Brasil”. Conforme publicado no próprio site do partido, “o modelo de segurança pública precisa estar baseado na defesa da vida, dos direitos humanos e da democracia”.
No último parágrafo do texto publicado após a reunião, a nota do PT é fulminante:
“O povo pobre, o povo preto e, sobretudo, a juventude preta são as principais vítimas. Cerca de 80% das mortes de homens negros não são causadas por balas perdidas, mas por serem alvos de um Estado racista e de uma política de segurança pública racista”, denunciou.
O CONTRASSENSO
O curioso é que esse encontro da sigla partidária aconteceu em Salvador (BA), capital do segundo estado mais violento do Brasil. O mais curioso ainda é que a Bahia é governada pelo PT há 19 anos, e hoje, ano 2026, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) afirma que a polícia baiana foi a que mais ‘matou’ pessoas no ano passado. Foram 1.570 mortes decorrentes de intervenções policiais dentro e fora de serviço.
Para se ter uma ideia desse número, as polícias de São Paulo e Rio de Janeiro ‘mataram’ 835 e 798 pessoas, respectivamente, totalizando 1.633 óbitos. Por 63 vidas, a Bahia – sozinha – não empatou com Rio e São Paulo juntos.
Ou seja, é como se o PT, naquela reunião de fevereiro, estivesse querendo apresentar um antídoto para a doença que ele mesmo criou. Ou, pelo menos, deixou crescer – MUITO! – nessas quase duas décadas de poder na Bahia.
O TIRO NO PÉ
Segurança Pública não é brincadeira. Ano após ano, correntes partidárias mais ligadas à ‘esquerda’ depositam nas polícias o fracasso no combate à violência. Vão além: em determinados casos, classificam as forças de segurança como o grande vetor dessa instabilidade social que jorra sangue em cada esquina.
Só que polícia tem dono: é o governador de plantão em sua respectiva unidade federativa. É ele quem escolhe os comandos das instituições.
E corrobora com o resultado apresentado pelo seu ‘modelo de segurança’.
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Saulo Nunes é jornalista, escritor e policial civil
