Por Alexandre Moura (*)
Centro de Convenções: investimento estratégico para o desenvolvimento de cidades como Campina Grande
A implantação de um Centro de Convenções dotado de um auditório ou teatro de última geração, representa muito mais do que a construção de um equipamento público. Trata-se de um investimento estratégico capaz de ampliar a competitividade de uma cidade, fortalecer sua economia, atrair investimentos e consolidar sua posição como polo regional de inovação, negócios, cultura e turismo. Diversos estudos conduzidos por organismos internacionais, como a Organização Mundial do Turismo (OMT/UN Tourism), e por entidades especializadas na indústria global de eventos, como a ICCA (International Congress and Convention Association - Associação Internacional de Congressos e Convenções), sediada em Amsterdã, Holanda, demonstram que o turismo de negócios e eventos está entre os segmentos de maior valor agregado da economia do turismo. O participante de congressos, feiras, seminários e convenções costuma apresentar gasto médio significativamente superior ao do turista convencional, além de permanecer mais tempo no destino e utilizar uma ampla cadeia de serviços adicionais. No caso de Campina Grande, município reconhecido nacional e internacionalmente, por seu Ecossistema de Inovação, por seu parque universitário, por sua tradição tecnológica e pela realização de eventos de grande porte, como o Maior São João do Mundo, o “Centro de Convenções Antônio Vital do Rêgo”, moderno, bem estruturado e de dimensões adequadas, preencheu uma lacuna histórica na infraestrutura destinada ao turismo de negócios e ao mercado de eventos corporativos da cidade. A “Feira do Empreendedor do SEBRAE” e mais recentemente, a 15ª FETECH – Feira de Tecnologia de Campina Grande, são exemplos claros.
Centro de Convenções: investimento estratégico para o desenvolvimento de cidades como Campina Grande (II)
Um equipamento dessa natureza já permite à cidade “disputar” pela realização de congressos científicos nacionais e internacionais, encontros empresariais, feiras de tecnologia, exposições industriais, eventos culturais, apresentações artísticas, fóruns governamentais, competições de startups e grandes conferências, que anteriormente estavam sendo direcionadas para capitais ou outras cidades da região, com infraestrutura mais adequada. Os impactos econômicos do Centro de Convenções, são amplos e distribuídos por diversos setores. A realização contínua de eventos movimenta hotéis, pousadas, restaurantes, bares, empresas de transporte, locadoras de veículos, comércio, serviços gráficos, empresas de montagem de estandes, fornecedores de equipamentos audiovisuais, agências de turismo, profissionais de comunicação, segurança privada, limpeza, recepção e produção de eventos. Esse efeito multiplicador gera emprego, renda e aumento da arrecadação tributária, beneficiando tanto o setor privado quanto o poder público. Outro aspecto relevante é o estímulo ao investimento privado. A existência de um Centro de Convenções tende a atrair novos hotéis, restaurantes, centros comerciais e empreendimentos imobiliários em seu entorno, promovendo a valorização urbana e impulsionando novos negócios. Em diversas cidades brasileiras, equipamentos desse tipo atuaram como catalisadores de processos de revitalização urbana e expansão econômica. Para Campina Grande, cuja economia possui forte presença dos setores de tecnologia, educação, saúde, comércio e serviços especializados, muitos congressos de maior porte, deixavam de ser realizados na cidade justamente pela inexistência de um espaço capaz de acomodar milhares de participantes com conforto, acessibilidade e recursos tecnológicos compatíveis com os padrões internacionais.
Centro de Convenções: investimento estratégico para o desenvolvimento de cidades como Campina Grande (III)
O impacto também alcança a economia do conhecimento. Eventos científicos, tecnológicos e empresariais favorecem a circulação de pesquisadores, investidores, empreendedores e especialistas, ampliando oportunidades de cooperação, transferência de tecnologia, internacionalização de empresas e atração de novos investimentos. Em um “ambiente de inovação”, encontros presenciais continuam desempenhando papel fundamental na formação de redes de colaboração e no surgimento de novos negócios. Na área cultural, o auditório/teatro com aproximadamente 2.000 lugares, amplia significativamente a oferta de espetáculos nacionais e internacionais, concertos, festivais, musicais, apresentações de dança e produções teatrais que atualmente encontram limitações de infraestrutura na região. Isso fortalece a economia criativa (lembrando que Campina Grande é reconhecida como “Cidade Criativa na categoria de Artes Midiáticas” pela UNESCO), amplia o acesso da população à cultura e estimula a formação de novos públicos. Outro benefício importante é a redução da sazonalidade econômica.
Centro de Convenções: investimento estratégico para o desenvolvimento de cidades como Campina Grande (IV)
Embora a cidade registre intensa movimentação durante o período do São João, um Centro de Convenções possibilita/facilita a realização de eventos ao longo de todo o ano, distribuindo melhor o fluxo de visitantes e contribuindo para manter aquecidos os setores de hotelaria, alimentação, transporte e comércio mesmo nos períodos de menor demanda turística.
Sob a perspectiva da competitividade regional, cidades médias que investem em infraestrutura para eventos tornam-se mais atrativas para empresas, investidores e instituições nacionais e internacionais e até influencia a decisão para quem busca uma cidade para morar, pois melhora a qualidade de vida da população. Esse tipo de equipamento reforça a imagem da cidade como ambiente favorável aos negócios, à inovação e ao desenvolvimento sustentável, elevando sua visibilidade e inserção nos circuitos nacionais e internacionais de congressos e feiras. Assim, para Campina Grande, o Centro de Convenções deve ser compreendido como um investimento estruturante. Seus benefícios extrapolam o setor de eventos, alcançando a geração de empregos, o fortalecimento da economia local, a atração de investimentos, a valorização do patrimônio urbano, o desenvolvimento da economia criativa e a consolidação da cidade como um dos principais polos brasileiros de ciência, tecnologia, educação, cultura e inovação.
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Engenheiro Eletrônico, Mestrado em Engenharia Elétrica, MBAs em Comércio Eletrônico e Software Business, pela N.S. University (Estados Unidos), Curso de “Liderança Transformadora Global” pela Nova School of Business & Economics (Portugal), Curso “Nuevos Retos Y Desafios para El Desarrollo Local Sostenible” pela Universidade de Valencia (Espanha), Acionista da Light Infocon Tecnologia S/A, Diretor da LightBase Software Público Ltda, Conselheiro-Titular do SEBRAE-PB, Fundador e Membro do Conselho de Administração do SICOOB Paraíba, Co-autor do livro: “Ecossistema de Inovação de Campina Grande, sua trajetória e conexão com o Sebrae Paraíba”, Ex-Presidente da ACCG e da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado da Paraíba e Diretor de Relações Internacionais da BRAFIP.
