Abrir uma seguradora que prometa recuperar veículos roubados parece ser um bom negócio na Paraíba. De acordo com dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública edição 2026, o estado é o terceiro do país com a maior taxa de roubos e furtos de veículos em todo o território nacional.
Essa taxa é calculada em grupos de 100 mil veículos. No ano de 2025, para cada lote de 100 mil veículos existentes no estado, a Paraíba registrou 349 roubos e furtos. Somente os estados do Rio de Janeiro (516 por 100 mil) e Pernambuco (476 por 100 mil) superaram a PB nesse cenário negativo da segurança pública.
Em números absolutos, temos:
RIO DE JANEIRO:25.235 veículo roubados + 17.490 furtados (total de 42.725 registros).
PERNAMBUCO: 11.749 roubados + 6.955 furtados (total de 18.704 registros)
PARAÍBA: 4.392 roubados + 1.867 furtados (total de 6.259 registros)
A menor taxa nacional foi constatada no estado de Goiás, onde, para cada lote de 100 mil veículos, existe o registro de 71 casos de roubos e furtos. Em solo goiano, o ano de 2025 registrou 507 veículos roubados + 3.176 furtados, totalizando 3.683 notificações.
‘BORA, PERDEU!’
Para quem eventualmente não saiba, o crime de roubo é cometido com violência. O criminoso não necessariamente deve estar armado, mas a vítima se sente ameaçada de alguma forma. Já no caso do furto, em regra a vítima não vê o autor do crime. Apenas percebe que seu bem foi subtraído.
Por essa ótica, o cenário da Paraíba é o mais ‘preocupante’ dos casos listados acima. Percentualmente falando, a PB apresentou o maior número de casos onde as vítimas se depararam com o roubo – ou seja, crime COM violência. Foi assim em 70,17% dos 6.259 registros policiais.
Em Pernambuco, dos 18.704 casos notificados, 62,82% foram roubos (crime com violência). E no Rio de Janeiro, os crime de roubo (com violência) de veículos representaram 59,6% dos 42.725 registros.
No estado de Goiás, a lógica se inverteu de forma considerável. Os crimes cometidos com violência foram constatados em apenas 15,96% dos 3.683 casos notificados.
CIÊNCIA NA SEGURANÇA!
Nada é por acaso. Um país que realmente queira diminuir os índices de crimes em suas mais diversas modalidades deve analisar, em detalhes, cada registro notificado. No caso em tela, o que explicaria o estado de Goiás ser o inverso da Paraíba, Rio de Janeiro e Pernambuco, no que se refere a roubos e furtos de veículos?
Por que, em solo goiano, os criminosos preferem furtar (sem violência) a cometer o crime de roubo (com violência)? É reflexo da atuação das forças de segurança locais? É mera preferência dos grupos criminosos no estado? A localização geográfica de Goiás interfere nessa balança?
E por que é tão importante chegarmos a uma conclusão certeira? Porque para a cura de toda doença é preciso conhecer as causas. Não dá mais para brincarmos de segurança pública, limitando-nos à eterna aposta do improviso.
Conforme os números do Anuário 2026, é previsível que pelo menos a sensação de insegurança seja bem menor em solo goiano.
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Saulo Nunes é jornalista, policial civil e escritor
