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"Um desafio para você, leitor(a). Topa?" - Por Saulo Nunes


Imagine que você, leitor(a), tenha uma empresa qualquer e, por algum motivo, mantenha em uma sala do seu estabelecimento quantias elevadas que cheguem a R$ 200 mil. Agora é a melhor parte: na fachada da sua empresa você manda abrir um letreiro com os dizeres “Aqui tem R$ 200 mil guardados”. Na entrada, você providencia uma porta giratória com um ou dois seguranças portando revólveres calibre 38 (quando muito!). A pergunta é: você teria coragem de fazer isso? Você acha isso uma atitude inteligente? 

Pois é mais ou menos isso que a maioria das agências financeiras faz. Dizem acreditar na segurança de uma ‘parêa’ de vigilantes praticamente desguarnecidos – ante a conjuntura nacional –, apegados mais à fé do que qualquer outra coisa. Esses prédios, claro, não exibem faixas com dizeres “Aqui tem R$ 200 mil guardados”, porque – óbvio – não precisa. E sequer instalam vidros blindados na entrada, para evitar que as portas sejam derrubadas com um chute.

Num belo – e previsível – dia, quatro maloqueiros desengonçados fazem uma conta de bodega: “R$ 200 mil divididos por quatro dá R$ 50 mil [pra cada um]”. E tomam coragem suficiente de conquistar, em um dia, o que um salário mensal de R$ 4.100,00 paga em um ano [pra cada um]. 

Num país com uma taxa de desemprego elevada, uma geração de jovens moralmente falida e uma segurança pública e privada historicamente renegada a último plano, estranho seria se ninguém viesse visitar aquela sua ‘sala secreta’, prezado(a) empreendedor(a).

O que temos visto em Campina Grande, e certamente em outros tantos municípios brasileiros, é exatamente isto. Um grupo de jovens que, por vezes, sequer sabe segurar uma arma direito invadir uma agência bancária/financeira como quem pula a catraca de um transporte coletivo sem dar satisfações à extinta figura do cobrador.  “Na tora!”

Sim, eu sei que alguém vai dizer “Segurança Pública é dever do Estado”. Sempre dizem. Mas se esquecem de completar a frase: “... dever do Estado, direito e RESPONSABILIDADE de todos”. É assim que está escrito na Constituição. Se alguém tem dúvidas, o Google tá aí.

Só para concluir: eu fiz as contas com a quantia de R$ 200 mil. Uma bandidagem razoavelmente organizada sabe mais do que eu sobre quanto de dinheiro existe ali dentro. 

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PERFIL

Saulo Nunes é formado em Comunicação Social pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). Ingressou via concurso público no sistema penitenciário do estado em 2009, onde permaneceu como policial penal até o ano de 2015. A partir daí, também após aprovação em concurso, passou a trabalhar como Investigador da Polícia Civil. É autor de Monte Santo: A casa de detenção de Campina Grande
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