Após leilão da Cagepa, como fica o discurso dos críticos da “privatização” do São João de Campina Grande?


Por Lenildo Ferreira

A notícia de que o serviço de esgotamento sanitário da Cagepa foi leiloado e passará a operar por meio de uma parceria público-privada entre a empresa estatal e um CNPJ espanhol traz em seu âmbito um questionamento inevitável quanto a discursos e narrativas, sobretudo no campo político onde a crítica de hoje pode virar um constrangimento de amanhã.

É que desde que o então prefeito Romero Rodrigues decidiu remodelar o Maior São João do Mundo para um formato de parceria público-privada, adversários passaram a periodicamente criticar a medida e afirmar que a festa, na verdade, foi privatizada. 

Esse tem sido o discurso tanto de políticos com mandato ligados ao Governo do Estado quanto de sindicatos, entidades de esquerda em geral e militantes progressistas – instituições e figuras alinhadas, por ideologia e conveniência, com o Palácio da Redenção.

Mas, e agora, o que vai mudar: a ideologia ou o discurso? Não tem terceira via, exceto se alguém tentar fazer crer que o São João foi privatizado e que a PPP de uma festa é ruim, mas que a Cagepa não foi parcialmente privatizada e que parceria para saneamento – objeto muito mais sensível e complexo – é algo bom.

Os paraibanos torcem para que o contrato com a empresa espanhola assegure a expansão do serviço, com maior eficiência do serviço e sem alta dos custos para o cidadão. Assim como os campinenses torcem para que o São João de Campina Grande consiga manter um papel economicamente relevante custando cada vez menos aos cofres públicos.

Porque para a cidade, para o estado e para o povo, o que importa não é narrativa, ideologia, discurso de ocasião ou politicagem: é resultado.

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Lenildo Ferreira é jornalista, advogado e editor do Jornal do Meio-Dia da Campina FM

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